Madeira: Ilhas foram importante laboratório para a Ciência 5 Setembro
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As ilhas foram um laboratório “ideal” para os estudos científicos, defende o professor Alberto Vieira, na comunicação que profere hoje no seminário internacional “As Ilhas e a Ciência”, que decorre no Funchal até quarta-feira.
“Os estudos históricos em torno da Ciência e da Técnica têm revelado um singular protagonismo das ilhas desde o século XV”, escreve Alberto Vieira, historiador e vice-presidente do Centro de Estudos de História do Atlântico, entidade organizadora deste seminário internacional.
“As cidades da Horta, Funchal e Santa Cruz de Tenerife assumem um protagonismo sem igual no panorama da História das Ciências no Atlântico”, continua Alberto Vieira na sua comunicação, a que a Agência Lusa teve acesso.
“Franceses, ingleses, alemães, castelhanos, suecos, noruegueses escolheram as ilhas como ponto de destaque das expedições científicas, com particular interesse pelos estudos florísticos, faunísticos, geológicos, oceanográficos e meteorológicos”, sublinha o investigador.
Alberto Vieira lembra, no seu estudo “A Madeira na rota da Ciência e investigações científicas”, que as ilhas, de primeiras terras descobertas, passaram a campos de experimentação e escalas retemperadoras da navegação na rota de ida e regresso e que, no século XVIII, transformaram-se em campo de ensaio das técnicas de experimentação e observação directa da natureza.
“As ilhas, pelo endemismo que as caracteriza, história geo- botânica, permitiram o primeiro ensaio das técnicas de pesquisa a seguir noutras longínquas paragens. Também elas foram um meio revelador da incessante busca do conhecimento da Geologia e Botânica”, diz o historiador.
“E por cá passaram destacados especialistas da época, sendo de realçar John Byron, James Cook, Humbolt, John Forster, e Darwin, que esteve nas Canárias e nos Açores e mandou um discípulo à Madeira”, recorda.
“O homem do século XVIII perdeu o medo ao meio circundante e passou a olhá-lo com maior curiosidade e, como dono da criação, estava-lhe atribuída a missão de perscrutar os segredos ocultos”, conclui Alberto Vieira.
O Seminário conta cerca de 20 comunicações de especialistas de várias nacionalidades e inclui ainda uma mesa-redonda que abordará o tema “As Cidades Atlânticas e a História da Ciência”.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7291053)


