Portugueses sorriem cada vez menos nas fotografias dos jornais – estudo 21 Agosto
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Os portugueses aparecem cada vez menos a sorrir nas fotografias dos jornais diários, o que poderá reflectir a situação que o país atravessa, revela um estudo inédito a nível mundial a ser apresentado em Setembro.
Denominado “A Expressividade do Sorriso – Estudo de caso em jornais portugueses”, este trabalho da autoria do psicólogo e professor Armindo Freitas-Magalhães teve início em Dezembro de 2003 e deverá estar concluído apenas no final deste ano.
Contudo, o especialista afirma que a partir das mais de 100 mil fotografias analisadas em todos os jornais diários foi possível retirar já alguns indicadores importantes, que serão apresentados na 11ª Conferência Europeia da Expressão Facial, que se realiza em Inglaterra de 13 a 16 de Setembro.
“A principal conclusão é que entre 2003 e 2005 tem vindo a diminuir a exibição do sorriso nas fotografias dos jornais, o que poderá ter a ver com a situação que o país atravessa e consequente estado de espírito dos portugueses”, afirmou em declarações à Agência Lusa.
Com o estudo pretendia-se também identificar o tipo de sorriso que mais aprecia nas fotografias, através de uma escala de sorrisos – o largo, o superior e o fechado – e a face neutra.
O sorriso largo, quando os lábios deixam ver os dentes, é o que exerce mais influência na percepção psicológica da pessoa.
O sorriso superior é aquele em que apenas se mostram os dentes de cima e o sorriso fechado é o que esconde os dentes e que, segundo o psicólogo, é considerado o “sorriso de sedução”, por transmitir mais afectividade.
A face neutra, ou sem sorriso, é a que menos permite inferir sobre a afectividade da pessoa.
Freitas-Magalhães afirmou que nas fotografias publicadas os sorrisos que mais aparecem são o fechado e o superior e algumas vezes também a face neutra.
Nestes dois anos, as mais fotografadas foram pessoas entre os 35 e os 50 anos, que exibiam quase sempre o sorriso fechado e superior. Os mais idosos foram os menos fotografados e os menos sorridentes.
Em contrapartida, é nas fotografias de crianças que mais se vê o sorriso aberto, “o que vem confirmar dados de estudos anteriores que indicam que quanto mais jovem se é mais frequentemente se sorri e mais espontâneo e verdadeiro é o sorriso”.
“O sorriso largo, que quase nunca é exibido nas fotografias de adultos, é que mais se aproxima da emoção felicidade”, afirmou o psicólogo, acrescentando que “quanto mais diminui, mais se aproxima da emoção tristeza”.
Freitas Magalhães salientou ainda que em determinadas fotografias aparecem os “sorrisos falsos”, aqueles que são forçados quando o protagonista percebe que vai ser fotografado.
No entanto, trabalhando as fotografias em laboratório “percebe- se perfeitamente quando se está perante um sorriso falso”, porque ao forçar os músculos para sorrir, o rosto fica assimétrico.
“Sorriso falso é o que normalmente acontece quando se está a posar para uma fotografia”, explicou, adiantando que esse foi, aliás, um dos motivos porque as chamadas revistas cor-de-rosa não foram utilizadas na investigação.
O estudo aponta ainda uma diferença significativa entre os géneros: neste panorama de poucos sorrisos confirma-se mais uma vez que apesar de tudo “as mulheres sorriem mais do que os homens”.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7254291)


