Primeira câmara astronómica portuguesa permitirá observação nítida de estrelas 27 Julho
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Uma câmara de observação astronómica que permitirá ver nitidamente estrelas e planetas a partir da Terra foi hoje apresentada em Lisboa como o primeiro instrumento de investigação construído em Portugal para o European Southern Observatory (ESO).
A Câmara de Observação Astronómica no Infravermelho (CAMCAO), será integrada num grande telescópio – o Very Large Telescope (VLT) – existente nos observatórios astronómicos do ESO, no Chile, e ajudará a responder a dúvidas sobre se “existem outras Terras e outros sois”, segundo o coordenador do projecto, António Amorim.
O VLT é formado por vários telescópios, que combinados dão origem ao maior e mais avançado telescópio óptico do mundo. Com uma resolução jamais atingida e uma imensa área de captação de luz, a Câmara de Observação Astronómica produz imagens extremamente precisas dos objectos menos luminosos e mais remotos do universo, permitindo “parar a cintilação das estrelas” e observá-las nitidamente.
“O infravermelho não se vê, atravessa poeiras e permite observar as estrelas bem definidas e sem uma nuvem à volta”, disse, acrescentando que “se pretende atingir o limite, que permite a observação directa de planetas”. De acordo com António Amorim, o projecto foi aprovado há três anos e concluído dentro do prazo e do orçamento, 1,2 milhões de euros. No entanto, “o mais caro foi o esforço de planeamento, de desenho e de concepção”, disse.
“Se hoje tivéssemos que construir outra câmara igual, sem termos que inventar nada, ficaria a um terço do preço”, acrescentou. No início de Setembro, a câmara será enviada para Munique, onde está a sede do ESO, para realizar testes em sistemas que imitam estrelas, estando o transporte final, para o Telescópio do Chile, previsto para o fim do ano.
António Amorim salientou como uma das grandes vantagens o facto de os países convidados a construir instrumentos para os telescópios do ESO terem direito a tempo reservado de observação exclusiva, o que acontecerá com Portugal. Filipe Duarte Santos, um dos elementos da equipa de investigação, manifestou-se satisfeito com o resultado do trabalho, mas deixou um apelo no sentido de haver “mais oportunidades para os investigadores portugueses e maior oportunidade de emprego a jovens investigadores e cientistas em Portugal”.
Presente na cerimónia, o Presidente da República, Jorge Sampaio, considerou: “é por aqui que se pode fazer o Portugal no futuro, porque sem ciência e inovação não se chega lá”. Sublinhando que este é um projecto de cooperação científica internacional, Jorge Sampaio considerou que “não é possível a Europa ter um futuro sólido sem se afirmar pela ciência”. O Presidente da República terminou afirmando que “todos procuram cientistas em todo o mundo”, que “os jovens cientistas portugueses são muito requisitados” e que “há saídas para os cientistas em Portugal”. Contudo, António Amorim lamentou que pessoas com competência que trabalharam nesta equipa estejam na eminência de ficar de fora, sem “oportunidade de continuar o trabalho que fizeram tão bem feito”.
Isto porque das cerca de 20 pessoas que integraram esta equipa, a maioria esteve a trabalhar com bolsas, porque as instituições normalmente “querem pessoas com vínculo à função pública”. A equipa de investigação que trabalhou neste projecto é composta por cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), do Instituto de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) e do ESO.
O European Southern Observatory é uma organização internacional de astronomia composta e financiada por vários países da União Europeia, entre os quais Portugal, com sede em Munique e com os observatórios astronómicos no Chile.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7196134)


