Aveiro lidera investigação universitária em Portugal 25 Julho

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Circula já com intensidade pelos meios académicos portugueses e promete agitar as águas do ensino superior português nos próximos tempos: um “ranking” de universidades, preparado por um ex-reitor, que se baseou na produção científica internacional das instituições, e coloca Aveiro claramente à frente no número de artigos científicos por cada docente de carreira (cerca de 1,5 por ano).

Seguem-se as universidades do Algarve, do Porto e Técnica de Lisboa (com cerca de 0,8 artigos por docente por ano em revistas internacionais). Mais abaixo as universidades Nova de Lisboa, Coimbra e Braga (0,6 artigos por docente por ano) e Lisboa (0,5 artigos por docente por ano). Todas as outras universidades portuguesas publicam menos de 0,3 artigos científicos por docente e por ano e nenhuma atinge um número absoluto de artigos superior a 100.

“Este trabalho é importante para podermos conhecer o perfil das universidades portuguesas”, explicou ao PÚBLICO Luís Sousa Lobo, ex-reitor da Universidade Nova de Lisboa e autor do trabalho de análise. “A prazo, será possível comparar departamentos homólogos e conhecer o seu trabalho com mais precisão.”

Consciente de que este estudo vai levantar protestos das universidades nacionais, especialmente das que aparecem mais mal classificadas, Luís Sousa Lobo defende o seu exercício: “Defendo que temos de identificar e premiar os centros de excelência, financiando-os em seguida, e isso só é possível com um trabalho que analise separadamente o trabalho de cada departamento e não a universidade como um todo”, explica. “Mas do ponto de vista do Estado, do ensino superior, do ensino público, é necessário haver instrumentos para avaliar as universidades no seu conjunto para entender qual é a missão de cada escola em particular.”

Luís Sousa Lobo refere-se a uma discussão que, há anos, envolve as universidades em todo o mundo e que, em alguns países, está absolutamente definida: há universidades com uma missão claramente de investigação (a estas os anglófonos chamam-lhes research universities) e outras que se devem concentrar mais no ensino (as chamadas teaching universities).

No estudo que faz, Sousa Lobo refere-se claramente a esta dicotomia: “Com a correcção da dimensão, verifica-se que a universidade mais research oriented é a Universidade de Aveiro, com bastante diferença, seguida da Universidade do Algarve”, escreve o autor, que alguns parágrafos antes já tinha referido que o número absoluto de publicações da Universidade do Porto e da Universidade Técnica de Lisboa “as aproxima já das universidades europeias “de investigação”".

A discussão sobre se o modelo de universidades de investigação versus universidades de ensino assenta bem a Portugal não é levantada no documento de Luís Sousa Lobo, mas há quem entenda que ela não faz qualquer sentido em Portugal devido à dimensão do país. No entanto, alguns reitores poderão ver nesta classificação diferenciada uma hipótese de forçar também o diferenciamento de financiamento e investimento, numa altura de recursos escassos.

Seja como for, nos Estados Unidos, país onde este conceito está mais avançado, existirão entre uma e duas universidades de investigação para cada 10 milhões de habitantes. A manter-se este rácio, e partindo do princípio que o modelo seria aceite, apenas duas universidades portuguesas poderiam aspirar a este estatuto.

O modelo de universidade de investigação, contudo, vai muito mais além do que a produção científica dos seus docentes, e passa por um ensino com ênfase na pós-graduação, recrutamento de docentes por currículo e convite, pouca carga docente, gestão quase empresarial, instalações de altíssimo nível. Um patamar muito difícil de atingir, ou mesmo impossível, uma vez que contraria as próprias leis que regulam as universidades portuguesas.

FONTE: Público

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