Ministro defende reforço do trabalho da agência Ciência Viva 13 Julho
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O ministro da Ciência e Ensino Superior, José Mariano Gago, quer reforçar as acções da Ciência Viva, que perdeu algum apoio nos últimos anos, por ser uma agência de promoção da cultura científica “única na Europa”.
“A Ciência Viva perdeu algum apoio nos últimos três anos e houve um ataque do último governo ao trabalho da agência”, afirmou o ministro, assegurando que o organismo precisa de um apoio de “independência”.
A agência Ciência Viva, criada em 1996 no âmbito do Ministério da Ciência e da Tecnologia, destina-se por exemplo a apoiar o ensino experimental das ciências e à promoção da educação científica na escola.
Mariano Gago falava aos jornalistas no final de uma visita ao Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), onde estão a decorrer estágios para estudantes do ensino secundário que, por alguns dias, podem experimentar ser “jovens investigadores”.
No âmbito da iniciativa “Ocupação Científica de Jovens nas Férias”, cerca de 700 alunos passam este ano parte das férias de Verão em laboratórios e centros de estudos de universidades a contactar com ciência.
A iniciativa, orçamentada em cerca de 85 mil euros, envolve 55 instituições científicas e 175 investigadores.
No ISEL, que acolheu 29 estudantes, Mariano Gago ouviu explicações de aprendizes de cientistas sobre processos e análises químicas como a determinação do teor de açúcar em produtos alimentares ou a caracterização da poluição em águas residuais urbanas.
O ministro, formado em Física, ainda descreveu a outro grupo de alunos o funcionamento de um polarímetro e ouviu de uma estudante do 10º ano como se extraem pigmentos de espinafres e de cenouras.
Munidos de batas, óculos de protecção e luvas, vestuário básico para trabalhar num laboratório, alguns dos estudantes inscreveram-se nestes estágios de Verão para ocupar os tempos livres.
É o caso de Diana Pereira, da Escola Secundário Pedro Nunes, em Lisboa, que decidiu inscrever-se no estágio sobre açúcares e adoçantes nos alimentos.
“Queria conhecer outras pessoas e ocupar o tempo livre das férias e não ter que ficar em casa a ver televisão”, explicou a estudante à agência Lusa, que está ainda à espera de ser chamada para outros estágios durante o Verão.
“O número de alunos no ensino secundário tem vindo a diminuir, mas a percentagem de estudantes nas áreas científicas tem aumentado”, constatou o ministro da Ciência, elogiando a iniciativa da Ciência Viva.
“A cultura científica é determinante para o país e é preciso insistir na ciência experimental, no contacto com os investigadores, porque não existe ciência sem experimentação”, sublinhou Mariano Gago perante os alunos.
A “Ocupação Científica de Jovens nas Férias”, que se prolonga até Setembro, vai na nona edição e desde 1997 já proporcionou estágios a mais de 3600 estudantes, sobretudo nas áreas da física, saúde, biologia e ciência agrária.
Apesar da quebra registada em 2004, com 345 estagiários e 38 instituições científicas envolvidas, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior defendeu um “reforço dos programas” da Ciência Viva, que em 2006 cumpre uma década de trabalho.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7163257)


