Ruído: Sons mascarados ajudam a melhorar a paisagem sonora urbana 10 Julho

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Investigadores do Instituto Superior Técnico (IST) estão a desenvolver um projecto para tornar mais agradável a paisagem sonora dos ambientes urbanos, procurando formas de introduzir sons aprazíveis que “mascarem” outros mais desagradáveis.

“Há uma nova tendência na forma como se encaram as sonoridades urbanas, tentando perceber o que se ouve na cidade como parte de uma paisagem sonora”, disse à Lusa o líder do projecto, Bento Coelho, acrescentando que “o ruído não tem só aspectos negativos”.

O projecto de qualidade sonora urbana, que inclui o desenvolvimento de mapas de ruído pouco convencionais, vai ser apresentado no 12º Congresso Internacional sobre Ruído e Vibração, que decorre entre os próximos dias 11 e 14 de Julho no IST.

Ao contrário da maior parte dos mapas de ruído disponíveis, que oferecem apenas uma descrição espacial dos níveis de ruído assente em informações quantitativos, o projecto dos investigadores do IST não se baseia apenas em dados computacionais.

“Quisemos integrar a percepção das pessoas nos processos de medição para escolher os sons mais e menos agradáveis, relacionando o ruído que se ouve com a qualidade que poderia ter”, explicou o mesmo responsável.

Segundo Bento Coelho, o ruído não passa de um conjunto de vários sons ao qual se atribui uma valoração negativa.

“Ao medirmos o ruído conseguimos identificar vários sons, como os automóveis ou os passarinhos. Depois tentamos desacoplar os sons para tentar `mascarar’ os mais desagradáveis”, explicou o investigador.

Embora poucos países estejam a desenvolver este tipo de projectos, em França já foram feitas experiências de “mascaramento” com sons de água.

“Estamos a estudar os sons para podermos perceber onde vale a pena intervir, trabalhando a sonoridade não só do ponto de vista técnico, mas também artístico”, afirmou Bento Coelho.

Aliás, salientou, um dos especialistas convidados para o congresso do IST é precisamente um músico.

Os investigadores escolheram o Rossio e o Príncipe Real, em Lisboa, como áreas privilegiadas para o seu estudo.

“São zonas urbanas muito interessantes onde há uma grande mistura de sons. Apesar do tráfego, não se limitam a ser zonas de passagem, são também espaços para estar e cuja qualidade sonora põe ser melhorada”, frisou este especialista.

Por exemplo, “se no Príncipe Real ouvíssemos mais passarinhos, apesar de continuarmos a ouvir o tráfego, a conotação psicológica alterar-se-ia positivamente”.

A solução pode passar por meios mecânicos, como altifalantes, ou trazendo mais aves para aquela zona.

O projecto de mapas qualitativos de ruído e qualidade sonora em meios urbanos está a ser desenvolvido há cerca de três anos pelo grupo de acústica e controlo de ruído do Departamento de Engenharia electrotécnica do IST.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7151856)

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