Hospital do Porto aplica terapia inovadora no combate a tumores cerebrais 30 Junho

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O Hospital S.João, no Porto, está a aplicar com êxito uma nova terapia para aumentar o tempo e a qualidade de vida de portadores de gliobastoma multiforme, o mais agressivo dos tumores cerebrais, disse hoje fonte médica. Num encontro com jornalistas, a directora do Serviço de Oncologia daquele hospital central, Margarida Damasceno, referiu que o tratamento está a ser ministrado, desde Dezembro, a 20 pacientes adultos daquela unidade.

A gliobastoma multiforme atinge sobretudo a faixa etária entre os 40 e os 60 anos, sendo geralmente detectada em atendimentos no Serviço de Urgência a pessoas que revelam alterações de comportamento e perdas de consciência.


O tratamento – explicou a especialista – consiste numa combinação terapêutica de radioterapia e quimioterapia, sendo esta vertente feita com recurso à substância química temozolomida. Numa primeira fase, em ambiente hospitalar, o paciente é sujeito um tratamento contínuo de rádio e quimioterapias. Regressando a casa, passa a medicar-se com temozolomida, por via oral, num conjunto de seis tratamentos de cinco dias cada, intervalados quatro semanas. A temozolomida era já usada no tratamento de cancro, mas apenas por via intravenosa (injecções).


Margarida Damasceno admitiu que o tratamento é “bastante caro”, situando-se entre os 9.000 e os 12.000 euros, só para a segunda fase, mas é comparticipado a 100 por cento pelo Estado. O elevado preço resulta do facto de a temozolomida ser produzida apenas num laboratório, explicou. Referiu, contudo, que há “muito menos despesa” ao nível das deslocações ao hospital, menor recurso a médicos e menos perda de tempo de trabalho pelo utente.


Um estudo recente levado a cabo pela Organização Europeia para a Pesquisa e Tratamento do Cancro e pelo Instituto Nacional do Cancro do Canadá comprovou a eficácia desta combinação terapêutica no combate ao gliobastoma multiforme. Segundo o estudo, 26,5 por cento dos portadores de gliobastoma multiforme que foram tratados com a nova técnica sobreviveram mais de dois anos. De entre os tratados apenas com radioterapia, só 10,4 por cento sobreviveram mais do que dois anos. Em Portugal surgem todos os anos 30 mil novos casos de cancro, que é a segunda causa de morte no país, após as doenças cardiovasculares.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7127287)

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