Universidade de Aveiro desenvolve aplicação multimédia para facilitar comunicação de trissómic 8 Junho
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«Oficina dos Gestos» é uma aplicação multimédia, em formato cd-rom, desenvolvida no âmbito do projecto de investigação Down’s Comm, com o objectivo de promover as competências comunicativas precoces das crianças com deficit cognitivo. Fruto de uma parceria entre a Unidade de Investigação em Comunicação e Arte da UA e a Associação Portuguesa de Portadores de Trissoma 21, “Oficina dos Gestos” está já à venda para dar uma ajuda na comunicação entre pais e filhos portadores da referida deficiência.
«Oficina dos Gestos» é uma aplicação que possibilita a consulta e visualização de um total de 184 gestos padronizados (numa investigação nacional), em versão portuguesa, inglesa e espanhola, e em diferentes formatos: descrição textual, descrição sonora, representação gráfica e vídeo. A versão inglesa e espanhola justificam-se não só no âmbito cultural e de difusão do projecto (pois as mesmas palavras definem-se através de gestos diferentes em línguas distintas), mas também na divulgação científica do projecto.
Este CD-rom surgiu no âmbito do projecto Down’s Comm, que tem como objectivo investigar e traduzir numa aplicação multimédia interactiva exemplos e sugestões de gestos funcionais e eventualmente simbólicos, tendo em consideração a realidade e a cultura portuguesa. Esta finalidade reflecte-se na tentativa de permitir uma flexibilidade na utilização dos mesmos e uma aprendizagem formal destes por parte de pais e técnicos que acompanhem crianças portadoras de trissomia 21.
As crianças com Trissomia 21 apresentam alterações no desenvolvimento e utilização da linguagem; para além de perturbações linguísticas gerais, o desenvolvimento da fala está especialmente atrasado. A comunicação encontra-se alterada na fase pré-verbal: as crianças tendem a ser mais passivas e mostram menos iniciativa nas suas interacções do que as crianças que se desenvolvem normalmente.
Assim, frequentemente, as capacidades da criança para se expressar verbalmente são inferiores às capacidades para compreender. Mais, algumas não serão capazes de falar inteligivelmente: podem ter deficiência mental profunda, grandes perdas auditivas, grandes dificuldades motoras ou neuro-musculares que tornam a fala muito difícil ou impossível.
Alguns estudos sugerem, assim, que o período precoce de sinalização pode ser uma ponte desde a fase pré-verbal de comunicação para a utilização da linguagem falada e que a fase de transição do pré-verbal para o verbal pode ser promovida pela utilização orientada de meios de comunicação que possam ser disponibilizados para a criança antes dos símbolos verbais.
Os gestos vêm assegurar muitas funções comunicativas que não seriam possíveis de outra forma, tais como fazer pedidos, questões e comentários, pedir informação, falar sobre a própria experiência ou brincar. Por outro lado, os pais aprendem a adaptar a sua comunicação às capacidades da criança: quando utilizam gestos que veiculam palavras, os pais falam mais devagar, utilizam orações mais curtas e provavelmente colocam ênfase nas palavras que são ditas e sinalizadas.
Down’s Comm decorreu entre Janeiro de 2003 e Junho de 2004 e foi integralmente financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. O preço de acesso à “Oficina dos Gestos” varia entre os 15€ para sócios da APPT 21 e 25€ para pessoas em geral (aquisição no local ou através deste e-mail oficinadosgestos@ca.ua.pt ).
FONTE: ua_online


