Psicologia: Dificuldade de concentração afecta maioria da população 7 Junho
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A grande maioria da população urbana portuguesa tem dificuldade em concentrar-se e esse problema, próprio do ambiente citadino, afecta em especial os adolescentes, indica um estudo do Instituto da Inteligência, com sede no Porto.
Segundo o estudo, cerca de 78 por cento dos portugueses queixam-se de dificuldade em concentrar-se, subindo este número para 89 por cento quando os inquiridos têm menos de 16 anos.
Estes resultados foram obtidos a partir de uma avaliação feita em Lisboa e Porto a 350 pessoas, de ambos os sexos, com idades a partir dos 6 anos, entre Janeiro e Abril deste ano.
O elevado índice de distracção notado não difere do existente noutros centros urbanos de outros países desenvolvidos, dada a multiplicidade de estímulos, ruídos e stress que caracterizam a vida quotidiana nas cidades, disse hoje à agência Lusa Nelson Lima, director do Instituto da Inteligência.
Quanto às consequências do problema, o investigador indicou “o aumento das dificuldades de aprendizagem, erros e acidentes de trabalho e de condução automóvel”.
“Os casos mais frequentes de perturbações da atenção resultam de fadiga, falta de sono, stress, excesso de estimulação, demasiadas ocupações, acumulação de responsabilidades e preocupações, medicamentos que afectam o sistema nervoso e drogas”, refere o estudo.
Mas muitos problemas de atenção também derivam da qualidade das vivências na infância.
“Nas escolas actuais, onde é difícil impor disciplina, as crianças não aprendem a concentrar-se e as que o conseguem são prejudicadas severamente pelo excesso de ruído e agitação”, lê-se no documento.
“Também em famílias mal organizadas, onde se gasta muita energia em disputas constantes, as crianças têm dificuldade em desenvolver a concentração e aprender a gerir o fluxo da consciência”, assinala.
Entre algumas acções específicas para melhorar a atenção, o estudo sugere a promoção de um ambiente calmo em casa, “onde todos se possam exprimir com tranquilidade”, agendar as actividades da família através de acordos mútuos, ouvir mais música e ler mais, ver menos televisão, ter hábitos de alimentação saudáveis e “pôr a família a fazer caminhadas em parques e jardins”.
Na escola, propõe acabar com as carteiras em plateia e distribui-las em forma de U, reduzir ao mínimo os cartazes expostos nas paredes das salas de aula e “manter com rigor a disciplina e a ordem num clima de respeito, abertura e partilha de saberes entre professores e alunos”.
Finalmente, no emprego, o estudo aconselha a simplificação dos processos de trabalho, a redução do número de departamentos e a eliminação ao máximo da burocracia interna.
Outras sugestões são a obrigatoriedade de pequenos intervalos, em especial nas actividades que exigem maior concentração intelectual ou manual, a utilização de cores suaves nos ambientes de trabalho e de “luz ambiente que não excite os sentidos”, e a organização de agendas de trabalho equilibradas.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7062278)


