Ossadas de crianças com mais 800 anos encontradas junto a muralha romana 7 Junho
Comments Off
Duas ossadas de criança, presumivelmente enterradas entre os séculos I e III depois de Cristo, foram hoje retiradas de junto da muralha romana descoberta no ano passado durante as obras de requalificação da Rua Formosa, em Viseu.
O arqueólogo Pedro Sobral, que tem acompanhado os trabalhos com vista à exposição do troço da muralha ao público, disse à Agência Lusa que, apesar de os esqueletos estarem “muito fragmentados, vão fornecer dados importantes sobre a época da muralha”.
“Os trabalhos para a musealização da muralha começaram há cerca de uma semana e faltava retirar uma faixa de terra com um metro de largura, porque depois disso já há canalizações. Encontrámos então as ossadas, junto ao torreão”, explicou.
Segundo Pedro Sobral, já no ano passado tinha aparecido “uma sepultura de criança, que se pensou ser um caso fortuito”, juntamente com uma moeda datada de 260 depois de Cristo.
“A primeira sepultura estava 15 centímetros acima do alicerce da muralha. Estas agora estavam mais ou menos ao mesmo nível”, contou, acrescentando que “tudo aponta que o cemitério fosse do século III, posterior à construção da muralha”.
O arqueólogo contou que “a primeira pontinha de um osso foi vislumbrada na sexta-feira”, tendo as sepulturas só hoje sido escavadas, na presença de uma antropóloga.
“E numa delas está a aparecer um enterramento secundário.
Amanhã (quarta-feira) de manhã vamos retirar a outra ossada que lá está”, acrescentou.
Pedro Sobral explicou que antigamente “os cemitérios eram normalmente junto à porta da cidade”, mas que ainda é cedo para tirar conclusões: “não sabemos se podemos considerar que há ali um cemitério ou um pequeno grupo de sepulturas”.
“Estamos ainda em fase de investigação. A muralha deverá datar do século I ou do século III, mas 200 anos significam realidades históricas muito diferentes. No século I uma muralha poderia ser uma demonstração do poder político e no século III sinal de instabilidade militar e política”, explicou.
O arqueólogo referiu à Lusa que se os dados históricos “levam a crer que a muralha seja do século III, mas os achados arqueológicos apontam para o século I”.
As informações que os arqueólogos conseguirem apurar figurarão junto do troço da muralha da Rua Formosa, que ficará no sítio em que foi encontrada, sendo montada no subsolo uma estrutura metálica sobre a qual assentará um vidro duplo, para garantir a visibilidade e, ao mesmo tempo, permitir que os transeuntes lhe passem por cima.
As obras para que esta fique exposta ao público vão custar 365.766 euros e têm um prazo de execução de quatro meses.
No local será colocado um sistema que permitirá controlar o arejamento, a temperatura, o grau de humidade e a iluminação do espaço, de forma a evitar a deterioração do granito e a formação de líquenes e musgos.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7066875)


