Dinossáurios: Portugueses convidados para estudar pegadas argentinas 31 Maio
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Dois investigadores portugueses foram convidados por paleontólogos argentinos para estudar pegadas de dinossáurios na Patagónia, na sequência de uma expedição recente à zona que resultou na descoberta de vários vestígios daqueles animais pré-históricos.
Luis Azevedo Rodrigues e Vanda Faria dos Santos, paleontólogos do Museu Nacional de História Natural (MNHN), em Lisboa, partiram a 15 de Abril para a Argentina para participar em campanhas de prospecção, escavação e estudo de dinossáurios e pegadas, na Patagónia e em Buenos Aires, e regressaram no final da semana passada.
Esta foi a primeira participação portuguesa e uma das primeiras europeias a uma expedição na Patagónia, uma das zonas a nível de fauna e de paleontologia que mais fascínio exercem sobre os investigadores, segundo Luís Rodrigues.
O paleontólogo disse à Agência Lusa que da expedição resultou não só a recolha de diversos vestígios encontrados como um convite aos portugueses para integrar com a equipa argentina um projecto de estudo de pegadas de dinossáurios.
Segundo a paleontóloga Vanda Santos, a ajuda dos portugueses é fundamental para desenvolver o trabalho científico de analisar a “morfologia das pegadas e perceber o que dizem sobre a velocidade e o comportamento” daqueles animais.
Esta é uma área de investigação em que Portugal está muito mais avançado do que a Argentina, um país muito rico em vestígios de dinossáurios mas que pouca atenção tem dado às pegadas, explicou.
“Nós temos um percurso de dez ou 12 anos de estudo de pegadas.
Os argentinos têm fornecido muito material, em termos de restos de dinossáurios, e informação muito importante, mas em relação às pegadas não tanto, não estão habituados a estudar jazidas”, acrescentou a especialista.
Luis Rodrigues recebeu ainda dois convites de universidades argentinas para ministrar um curso de Técnicas de Morfometria Geométrica (imagens tridimensionais de dinossauros, que simulam a sua locomoção), nas quais o MNHN é pioneiro.
Este convite surgiu na sequência da participação do paleontólogo em jornadas e em acções de formação durante a expedição, nas quais leccionou aquele “método inovador” que deixou os argentinos “muito interessados”.
Relativamente à parte do trabalho de campo – escavação e prospecção – desenvolvido na Patagónia, Luis Rodrigues considera que “correu bastante bem”, embora para os argentinos, que estão habituados a encontrar vestígios de dinossáurios, tenha corrido dentro da normalidade, na medida em que “não encontraram nem o maior nem o melhor”.
Mas para os portugueses os vestígios encontrados representam “material muito bom”, do qual Luis Rodrigues destaca vestígios de ossos e dentadura de Terópodes (dinossáurios carnívoros) e restos de Saurópodes (dinossauros herbívoros, quadrúpedes de pescoço comprido) que estão agora a ser analisados.
A paleontóloga Vanda Santos, especialista em jazidas de pegadas de dinossáurios, revelou-se muito satisfeita com as jazidas encontradas em “vários locais, numa zona muito extensa”.
Para a investigadora, a expedição foi bastante frutífera, já que à partida para a expedição iam estudar apenas uma jazida, mas acabaram por encontrar várias novas e por tomar conhecimento de outras a que os argentinos anteriormente tinham dado pouca importância.
Apenas para dar ideia da extensão, Vanda Santos referiu que num percurso de cinco quilómetros ao longo de um rio, encontraram vários locais com pegadas.
Actualmente, estão a ser analisados em três dimensões os dados recolhidos na Patagónia de cinco modelos de dinossáurios Saurópodes, adiantou Luís Rodrigues, acrescentando que paralelamente está a “encetar contactos para futuros trabalhos de morfometria geométrica”.
“Temos o apoio dos argentinos, mas também precisamos de arranjar patrocinadores”, disse.
Vanda Santos queixou-se igualmente da falta de patrocínios e, frisando que já teve o apoio da universidade que permitiu que o período passado na expedição contasse como tempo de serviço, considerou que “a possibilidade de terem um mecenas seria estupendo”.
A Argentina, e particularmente a Patagónia, constitui actualmente uma das principais áreas mundiais a contribuírem com novas e importantes espécies de dinossáurios, entre as quais o maior do mundo: o Argentinosaurus, com 40 metros de comprimento e mais de cem toneladas, descoberto em 1993.
Foi igualmente na Patagónia que se encontraram ovos com embriões de Saurópodes (dinossáurios quadrúpedes de cauda e pescoço comprido), numa jazida denominada Auca Mahuevo, bem como vestígios dos mais antigos dinossáurios que se conhecem.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7045597)


