Portugal afunda-se no índice de competitividade 12 Maio
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Portugal aparece no 45º lugar da edição de 2005 do ranking de competitividade anual do IMD, que analisa 60 economias. Uma queda de seis lugares face a 2004 e de 13 posições face a 2001.
Os Estados Unidos da América continuam a liderar o índice do IMD, mas entre os 20 primeiros classificados há 11 economias europeias. Entre os parceiros europeus de Portugal, só a Grécia (50º lugar), a Eslovénia (52º) e a Itália (53º) aparecem pior. Alguns dos novos aderentes à União, como a República Checa (36º) ou a Eslováquia (40º) aparecem à frente.
Este índice compara a competitividade dos países através de 300 critérios – alguns estatísticos (por exemplo, a evolução do PIB), outros qualititativos (por exemplo, a transparência das políticas governamentais), obtidos através de inquéritos junto de líderes de opinião. E quais são os critérios que mais afectam a classificação portuguesa? Por um lado, o desempenho económico dos últimos anos tem sido mau. Por outro, a eficácia do Estado é reduzida, porque há défices na coerência e transparência da acção governamental, no combate à evasão fiscal e na justiça.
Mas os dados mais interessantes do World Competitiveness Yearbook 2005 para Portugal têm a ver com o ambiente empresarial e com o sistema educativo. Por exemplo: Portugal está no fim da lista de 60 países, abaixo até de países em vias de desenvolvimento como as Filipinas, a Indonésia e a Venezuela, em termos do empreendedorismo dos executivos das empresas. Portugal também é o país onde a adaptabilidade das empresas à evolução dos mercados é menor. E, apesar de há muitos anos se dizer que a qualificação da mão-de-obra é um dos problemas mais graves da economia portuguesa, Portugal é o penúltimo em termos de formação oferecida pelas empresas aos seus funcionários. Os indicadores relativos ao sistema educativo são ainda mais interessantes. Alguns são positivos: Portugal é o campeão mundial no rácio de alunos por professor no ensino secundário: 8,3 alunos por professor. No ensino básico, há 11 alunos por professor, o que coloca Portugal em quinto lugar do ranking. Mais: Portugal é o oitavo classificado em termos de percentagem do PIB gasta pelo Estado em educação. Mas, apesar desses números, Portugal está entre os últimos numa série de critérios educativos: no ensino de ciência (55º lugar); na adequação do ensino a uma economia competitiva (54º); na literacia económica (53º); no interesse dos jovens em ciência (53º); na adequação do ensino universitário (52º).
“O facto de haver muitos professores não quer dizer que eles sejam bons”, disse ao PÚBLICO Eduardo Cruz, director da Formedia, parceiro português da IMD. “A qualidade do ensino é diferente do número de agentes ao seu serviço. Isto é uma opinião muito pessoal, mas temos um excesso de dinheiro no ensino em geral em Portugal, e esse dinheiro está mal aplicado.” Olhando para outros resultados negativos, Cruz conclui que Portugal tem “um problema de liderança, tanto a nível político como empresarial”: “O trabalho está mal organizado tanto na administração pública como nas empresas. A formação que poderia melhorar as coisas é, em geral, de má qualidade.”
O ranking é comparativo; logo, o facto de Portugal ter piorado a sua classificação não significa que o país tenha regredido, mas apenas que não evoluiu tão rapidamente como as outras economias analisadas. Uma explicação possível para o “mergulho” de Portugal no ranking é o clima de pessimismo que afectou o país nos últimos tempos. Se os “líderes de opinião” consultados tiverem sido afectados por esse clima, as suas respostas poderão ter um impacto exageradamente negativo sobre a classificação portuguesa.Eduardo Cruz nota, contudo, que, ao contrário de outros índices de competitividade, o ranking da IMD é mais baseado em estatísticas do que no inquérito qualitativo.
FONTE: Público


