Ciência: Financiamento estatal é crítico 29 Abril

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O ministro da Ciência, Mariano Gago, afirmou hoje que o financiamento estatal é “crítico” no campo científico em Portugal, onde ainda está “muito abaixo daquilo que o país precisa”. Mariano Gago reuniu-se hoje com o Conselho de Laboratórios Associados (CLA), que agrega 21 instituições científicas, no que os cientistas consideraram “um virar de página”, após duas legislaturas que foram para a Ciência “uma travessia do deserto”.



Em declarações à Agência Lusa, Mariano Gago afirmou que nos governos anteriores houve “um acréscimo gigantesco da burocracia entre as instituições de financiamento e as instituições científicas”. Houve “esgotamento de verbas quando já havia compromissos assumidos”, referiu o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, para quem é uma prioridade a qualificação do emprego na área científica e a fixação de profissionais do sector em Portugal. Mariano Gago apontou como essencial “repor a confiança internacional de Portugal, estimular os incentivos fiscais à investigação científica nas empresas”.

Para o secretário do CLA, João Sentieiro, a reunião foi “um retorno à normalidade” nas relações entre o governo e a comunidade científica, “ignorada nos últimos dois ou três anos”. João Sentieiro afirmou que houve “uma regressão” no campo da Ciência, que precisa de “duplicar os números de investigadores para se aproximar da média europeia”. Terminada a “instabilidade”, é preciso que o sector da Ciência “deixe de viver em regime de emergência”. Para o secretário do CLA e director do Instituto de Sistemas e Robótica do Instituto Superior Técnico, é essencial criar “condições de emprego” para os jovens que queiram seguir a carreira científica, depois de um período que gerou “desconfiança” quanto a essa opção profissional.

Para isso, é preciso divulgar a actividade científica junto da opinião pública e difundir “a ideia de que a ciência não é só para um grupo de iluminados”. Entre outras iniciativas, o ministério e os Laboratórios Associados vão colaborar em “políticas públicas que precisam de competência científica para serem desenvolvidas”, com o correspondente financiamento de redes de investigação.

Ambas as entidades vão criar vários grupos de trabalho e reatar “os canais de comunicação normais”, o que “já é uma grande conquista”, destacou João Sentieiro. “A atitude do governo é de abertura a toda a comunidade científica”, garantiu Mariano Gago.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6957226)

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