Bial distinguem investigações sobre cancro digestivo e doenças de rins 29 Abril
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Uma investigação sobre cancro, visando encontrar uma resposta imunitária capaz de eliminar lesões tumorais, e um estudo que permitiu identificar e corrigir alterações em doentes com pedras nos rins são as obras vencedoras dos Prémios Bial. A investigação sobre cancro, liderada pelo espanhol Ignacio Melero, da Universidade de Navarra, foi a obra vencedora do “Grande Prémio Bial de Medicina”, no valor de 150 mil euros.
“Intratumoral injection of dentritic cells Engineered to secrete interleuki-12 by recombinant adenovirus in patients with metastatic gastrointestinal carcinomas” é um trabalho baseado na pesquisa de uma resposta imunitária capaz de eliminar lesões tumorais, explica a Fundação Bial, responsável pela atribuição dos prémios. Um ensaio clínico em 17 pacientes com cancros digestivos avançados (fígado, pâncreas e cólon) e sem quaisquer alternativas em termos de tratamento convencional (quimioterapia e radioterapia) permitiu verificar, do ponto de vista biológico, alterações pró- inflamatórias no tumor, bem como um aumento da resposta imunitária.
Para Ignacio Melero, este prémio representa “um estímulo para o futuro”, até porque, reconhece, “é muito complicado inovar nesta área da transferência celular”. Segundo o investigador, este projecto iniciou-se com observações experimentais em modelos de tumores transplantáveis em ratos, tendo os ensaios clínicos (com pacientes) começado há dois anos e meio.
Na modalidade “Prémio Bial de Medicina Clínica” foram distinguidos os investigadores Adelaide Serra e Fernando Domingos por um estudo em doentes com cálculos renais, no serviço de Nefrologia (rins) do Hospital de Santa Maria.
De acordo com a fundação, a obra “Avaliação nefrológica de uma população com litíase cálcica idiopática recorrente – experiência de sete anos de Consulta de Nefrolitíase do Serviço de Nefrologia do Hospital de Santa Maria” é o resultado de sete anos de investigação daquela patologia, tendo como objectivo analisar a incidência de cálculos renais na população portuguesa. Adelaide Serra explicou, em declarações à Lusa no final da cerimónia de entrega dos prémios, que este trabalho partiu da constatação de que na consulta de Nefrolitíase (pedras nos rins) os doentes apareciam já com “doença grave avançada e cólicas renais de repetição, alguns deles já operados e outros até já tendo tirado um rim”.
Estes dois investigadores entenderam que se estudassem o doente e percebessem porque tinha cólicas repetidas e também formação repetida de pedras conseguiriam controlar a doença e evitar que as cólicas se repetissem. Assim, segundo Adelaide Serra, através de um estudo do sangue, da urina e também dietético foram detectadas diferenças entre os doentes e posteriormente corrigidas. “Corrigindo as alterações que cada doente apresenta é possível controlar a doença e evitar complicações”, disse, acrescentando que a maioria dos doentes não voltou a ter cólicas e que outros voltaram a ter mas com muito menos frequência. Segundo a investigadora, na maior parte dos casos, os problemas foram corrigidos “apenas com medidas dietéticas”, o que sugere que o “crescente consumo de fast food, em detrimento da anterior e saudável dieta mediterrânica, rico em sódio e proteínas e pobre em cálcio”, pode estar relacionado com o aumento recente da incidência da doença.
Quanto ao problema do défice de cálcio, a médica sublinhou que nestes doentes quando as substâncias são excretadas pelo rim arrastam cálcio, dando origem aos cálculos renais (pedras nos rins), mesmo quando a pessoa tem défice deste elemento no corpo. O que acontece é que, nestes casos, “o cálcio é tirado dos ossos” e o resultado são doentes, nomeadamente jovens de 30 anos com “osteoporoses gravíssimas”, explicou Adelaide Serra.
Este trabalho de investigação decorreu entre 1996 e 2003, incidindo sobre 186 casos, dos quais 95 por cento foi possível corrigir, disse. Para Adelaide Serra, este prémio traz uma “grande satisfação pelo reconhecimento do trabalho árduo iniciado há nove anos atrás e feito durante sete anos consecutivos”. “É muito difícil fazer investigação clínica em Portugal: os médicos são poucos, os doentes são muitos, há uma rotina diária a cumprir no hospital e a investigação tem que ser feita para além da rotina”, o que implica uma “dedicação enorme e trabalho extra sempre”. “É preciso uma grande persistência e é agradável que tenham reconhecido o nosso trabalho, porque nestes nove anos isso não aconteceu”, acrescentou.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6958870)


