Murteira Nabo diz que investimento em investigação não está a criar valor 31 Março

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O bastonário da Ordem dos Economistas e presidente da Cotec – Associação Empresarial para a Inovação, Francisco Murteira Nabo, afirmou hoje que o investimento português em investigação e desenvolvimento não está a criar valor. A debilidade dos recursos afectados, o peso do Estado no investimento realizado e a separação entre a Universidade e a indústria foram algumas das causas que apontou durante um almoço promovido pelo American Club.

O ex-presidente da Portugal Telecom considerou ainda que a qualificação foi uma prioridade menor na estratégia de aplicação dos fundos estruturais por Portugal, em detrimento das infra-estruturas e do emprego. Acresce que em Portugal afectam-se recursos, mas não se controla o resultado, a sua qualidade, criticou. Murteira Nabo adiantou que a Cotec poderia contribuir para a resolução do problema, apesar de a reduzir a uma iniciativa altruísta, mecenática, de 105 empresas que pagam 15 mil euros por ano sem esperar nada em troca, e a uma estrutura com sete pessoas, entre as quais ele próprio, “um carola, que lhe dedica sete horas por dia de forma gratuita”.

O problema que a Cotec quer ajudar a resolver, esclareceu, é a conciliação das empresas com os investigadores. A entidade não faz diagnósticos, mas segue antes “uma lógica muito pragmática”. Murteira nabo estima ser necessário um período de tempo correspondente a uma geração para mudar a situação. Neste período terá de haver mudanças nas empresas, na universidade e nos hábitos sociais. As primeiras terão de investir mais, empresas e universidades terão de estar mais ligadas e o empreendedorismo deve ser fomentado.

Sugeriu que as 500 maiores admitam entre 1.500 a 2.000 investigadores por ano, sendo incentivadas fiscalmente para o efeito. Nas universidades, a avaliação dos investigadores terá de passar a considerar também a criação de valor, e não se reduzir apenas a critérios académicos. A própria gestão da universidade terá de ser discutida, uma vez que “não é claro que um bom professor seja um bom gestor”, encarando-se a sua própria profissionalização. Na educação terá de se acabar com a situação em que se “formam alunos para serem empregados” e com o hábito de penalizar o risco, em vez de se educar para a sua aceitação.

Murteira Nabo acrescentou ainda que Portugal deve discutir a forma de estar presente nas plataformas tecnológicas que estão em discussão na União Europeia, a saber, biotecnologia, nanotecnologia, desenvolvimento sustentável, tecnologias domar, aeronáutica e espaço e tecnologias de informação e comunicação. “Se não estivermos presentes nestas plataformas, estaremos ausentes do que contará na Europa nos próximos anos”, alertou. Para o bastonário da Ordem dos Economistas, “não há estratégias de desenvolvimento sem internacionalização e não há internacionalização sem presença nas plataformas tecnológicas europeias”.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6872070)

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