Vencer o atraso científico e tecnológico do país é prioridade do governo 23 Março
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O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior sublinhou no Parlamento que a prioridade absoluta do programa do governo é vencer o atraso científico e tecnológico do País. “Não há crescimento económico sem saber mais, saber fazer melhor, criar e inovar mais, sem mais conhecimento e mais inovação, sem mais cultura científica”, vincou Mariano Gago durante a apresentação do programa do governo aos deputados.
O ministro chamou a esta prioridade “plano tecnológico”, um programa que admitiu ambicioso e exigente para o desenvolvimento tecnológico e científico, para o progresso na educação, na formação e na inovação. “Portugal precisa da concretização urgente desse plano, para que um autêntico desafio de exigência e de conhecimento, tecnológico, científico, educacional, cultural nos eleve aos níveis de competência e de produtividade dos países mais desenvolvidos”, referiu o ministro. “Do que produz, Portugal investe em ciência e tecnologia menos de metade que um país médio europeu. Em proporção da população activa, precisamos de uma vez e meia mais cientistas para dispormos das capacidades médias europeias”, acrescentou.
Mariano Gago apontou que o desenvolvimento começa na qualificação das pessoas, no estudo e na aprendizagem, adiantando que as políticas de educação, básica, secundária e superior, e as políticas de formação profissional e de aprendizagem ao longo da vida serão assim orientadas para a superação dos défices de formação e qualificação. A obrigatoriedade do ensino experimental das ciências e a diversificação de oportunidades de formação, com ênfase na valorização de aprendizagens práticas e na aquisição de competências técnicas são metas do nosso programa, referiu. “Por isso ainda, queremos que o Ensino Superior qualifique as novas gerações para as exigências do espaço europeu”, sublinhou, aludindo ao processo de Bolonha, que classificou como uma oportunidade de diversificação e de autonomia responsável de Universidades e Politécnicos.
O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior indicou que vai reforçar o papel regulador e avaliador do Estado a par da autonomia das instituições de ensino superior. “No actual quadro internacional é imperativo que todo o nosso sistema de ensino superior, público e privado, universitário e politécnico seja avaliado internacionalmente de forma independente, transparente e exigente, à luz de padrões internacionais, de modo a ser possível a reorganização necessária da rede actual à luz dos desafios do futuro”, disse. Reiterou a defesa da generalização do acesso à Internet e às tecnologias de informação e comunicação, a criação de um Fórum permanente para a Sociedade da Informação como organismo de consulta do Estado, e uma maior liberalização das comunicações.
“Também nos pronunciamos em defesa da crescente utilização de sistemas operativos não proprietários sempre que apropriado, designadamente em serviços públicos, e estimularemos a sua generalização e a formação adequada para atingir esse objectivo”, disse ainda. Mariano Gago referiu que o rápido desenvolvimento científico do País é hoje condição absolutamente necessária para toda a estratégia de desenvolvimento económico e social, e que por isso a despesa pública em I&D deverá crescer até atingir a meta europeia de 1% do PIB até ao final da legislatura.
“Tudo faremos para potenciar o investimento privado em inovação e o nosso programa equaciona e anuncia muitas das medidas nesse sentido. Devemos sublinhar que a reposição de um sistema de incentivos fiscais à investigação pelas empresas, competitivo internacionalmente e com absoluta garantia de continuidade a longo prazo, é um dos nossos principais compromissos”, sublinhou. O ministro aludiu ao papel regulador do Estado para indicar não ver qualquer razão para a proibição da investigação com células estaminais visando fins terapêuticos, tal o seu potencial benefício para a saúde humana. O programa do governo tem ainda como prioridade o desenvolvimento da cultura científica e tecnológica e o indispensável reforço das condições de trabalho e da independência da Agência Ciência Viva.
FONTE: Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior


