Cancro: Estudo pioneiro vale prémio internacional a cientista portuguesa 3 Março
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Uma cientista portuguesa foi premiada internacionalmente por um estudo pioneiro sobre o impacto da alimentação nos doentes com cancro, através do qual concluiu que uma nutrição adequada os ajuda a tolerar melhor os tratamentos, atenuando os sintomas. Os resultados do trabalho sustentam que a nutrição tem de ser um aspecto a ter em conta no tratamento global dos doentes com cancro, explicou Paula Ravasco à Agência Lusa. A investigadora da Unidade de Nutrição e Metabolismo do Instituto de Medicina Molecular (IMM) está a fazer o doutoramento na área da nutrição e oncologia, na qual trabalha desde há três anos, contou.
Prestes a completar trinta anos, a cientista e nutricionista no Hospital de Santa Maria, foi agora distinguida com o prémio “Eminent Scientist of the Year 2004 & Millenium Golden International Award”, na área da oncologia clínica, que será entregue dia 18 de Março, no IMM. O galardão é concedido por uma associação mundial (International Research Promotion Council) que nomeia cientistas de acordo com a relevância e impacto dos trabalhos publicados. “Comecei por estudar o impacto e peso da nutrição nos doentes com cancro, como afecta a sua qualidade de vida, a sua sintomatologia, em comparação com outras variáveis”, explicou.
A investigação foi desenvolvida em ambiente clínico, em doentes do serviço de radioterapia do Hospital de Santa Maria, que mantém uma colaboração com o IMM. Após concluir que o papel da nutrição nestes doentes “era muito significativo”, Paula Ravasco decidiu estudar “qual seria o impacto de uma intervenção personalizada”, adequando a alimentação “à doença e à pessoa”. “A nutrição tem de ser adequada a isso tudo”, sustentou, acrescentando que os últimos trabalhos publicados ou que vai publicar se debruçam sobre a alimentação adequada a doentes com cancro do cólon e recto e da cabeça e pescoço. Os benefícios desta adequação vão desde uma “melhor tolerância aos tratamentos” e “atenuação dos sintomas”, com influência na qualidade de vida destes doentes.
“Nunca ninguém fez este tipo de estudo”, revelou, sublinhando que os seus trabalhos sustentam que a nutrição tem de ser integrada no tratamento global dos doentes com cancro. Uma questão referida, aliás, pelo Conselho da Europa, um órgão internacional que inclui 44 Estados-membros do continente europeu. “Os sintomas são atenuados, os doentes têm mais força, mais motivação, e por isso toleram melhor os tratamentos”, reforçou à Lusa, afirmando que “vai continuar a explorar esta área”. Os resultados da investigação de Paula Ravasco foram já publicados em várias revistas científicas internacionais, como a Clinical Oncology, Clinical Nutrition ou Head and Neck.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6795530)


