Preocupados com a formação, jornalistas de ciência e ambiente associam-se 3 Fevereiro

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A preocupação de formar melhor os jornalistas que tratam assuntos ligados à ciência e ao ambiente levou à constituição de uma associação de repórteres, apresentada hoje em Lisboa, que pretende seguir alguns exemplos europeus.

Criada por um grupo de jornalistas de vários órgãos de comunicação, a ARCA – Associação de Repórteres de Ciência e Ambiente – recebeu já o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, do British Council, da Embaixada dos EUA e da Fundação Luso-Americana (FLAD) que se mostraram disponíveis para ajudar em programas ou acções de formação. À Agência Lusa, Ricardo Garcia, da direcção da ARCA, afirmou que em Portugal existem muito poucas acções de formação para jornalistas de ciência e ambiente, ao contrário do que acontece noutros países europeus.

Ao todo, trabalham em Portugal nestas duas áreas cerca de 30 jornalistas, de acordo com a ARCA. Um diagnóstico reforçado pela intervenção do presidente da União Europeia de Associações de Jornalistas de Ciência (EUSJA), Istvan Palygai, que apontou o exemplo da Escandinávia, onde este tipo de formação é paga pelo Governo.

Palygai chamou ainda a atenção para a dificuldade do trabalho dos jornalistas de ciência nalguns países da Europa comparativamente aos EUA, onde existe maior noção da importância da comunicação científica. “A ciência é tão importante para a imprensa generalista como o desporto, o entretenimento ou as artes”, sustentou, exortando os jornalistas presentes na conferência a adoptar novos métodos, estilo, truques, que os faça sair “do gueto”. Ricardo Garcia estimou, no entanto, que a cobertura das notícias de ciência e ambiente em Portugal tem melhorado, apesar das dificuldades que por vezes têm os jornalistas em “conseguir comunicar com o público”, com os cientistas e também com os editores, que têm de ser “convencidos da importância dos temas”.

“Esse será também um dos objectivos da ARCA, tentar fazer com que a ciência e o ambiente ganhem mais espaço nos jornais e conseguir comunicar melhor com o público”, acrescentou. Formar melhor os jornalistas ajudará a “passar melhor a mensagem”, o que ajudará à divulgação científica, argumentou. Para justificar a junção das duas áreas na mesma associação, Ricardo Garcia deu os exemplos da co-incineração, das alterações climáticas ou até mesmo da seca, temas à partida de ambiente mas que exigem aos jornalistas que compreendam “a ciência que está por detrás”. Para isso é necessário contactar os especialistas, interpretar a ciência e tentar passá-la para o público em geral.

Também presente na apresentação, o investigador Carlos Fiolhais fez um apanhado da cobertura noticiosa do tsunami que devastou o sudeste asiático, apresentando um balanço positivo das notícias produzidas desde 26 de Dezembro, que serviram nomeadamente para alertar para algumas falhas na prevenção e aumentar os conhecimentos científicos do público sobre o tema. Ainda assim, o professor de Física da Universidade de Coimbra apontou aspectos negativos como o sensacionalismo e a falta de exactidão.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6718073)

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