Distinguido trabalho sobre formação das artérias do coração 28 Janeiro
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Um trabalho sobre a formação das grandes artérias do coração, com possível aplicação na prevenção de malformações congénitas, valeu uma bolsa no valor de 30 mil euros a um investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). A Bolsa de Investigação Pfizer – Professor João Cid dos Santos, atribuída a projectos a serem desenvolvidos na área das doenças cardiovasculares, foi entregue terça-feira ao investigador espanhol Moisés Mallo.
A trabalhar há três anos no IGC, onde chefia a unidade de transgénicos, Moisés Mallo vai agora prosseguir o seu estudo sobre as diferentes etapas de formação das grandes artérias de saída do coração, recorrendo a modernas técnicas de manipulação genética de ratinhos e visualização microscópica.
“Os resultados deste trabalho poderão abrir novas perspectivas para a prevenção e intervenção terapêutica precoces em doenças cardiovasculares, muitas das quais resultam precisamente de defeitos nas artérias de saída do coração”, indica um comunicado do IGC.
As doenças cardíacas congénitas são originadas pelas malformações congénitas (aquelas com que a pessoa nasce) mais comuns, afectando cerca de nove em cada 1.000 recém-nascidos. Entre as malformações cardíacas congénitas incluem-se aquelas que afectam as duas grandes artérias que transportam o sangue para fora do coração: a aorta e a pulmonar. A formação deste sistema de artérias, no embrião, é ainda pouco conhecida, assim como os genes envolvidos no processo.
Como explicou Moisés Mallo à Lusa, no projecto distinguido a equipa do IGC pretende observar as artérias enquanto se formam, em embriões de ratinho em crescimento numa câmara de vidro, fora do útero materno, observados ao microscópio. Os ratinhos que vão ser estudados são transgénicos, pois foram alterados geneticamente para produzirem uma proteína fluorescente nas células precursoras das artérias. “Será através da luz emitida por esta proteína que os investigadores vão seguir o crescimento e tomada de forma do sistema de artérias do coração”, disse.
Os ratinhos foram manipulados para desenvolverem uma doença semelhante à síndroma de DiGeorge, através da inactivação de um gene, funcionando como modelos de estudo para esta doença congénita, disse à Lusa. As malformações cardiovasculares são uma das muitas deficiências características desta síndroma. No trabalho a desenvolver, serão comparados os processos de formação das artérias de saída do coração, em ratinhos não manipulados e ratinhos transgénicos, de forma a identificar em que fases do desenvolvimento do embrião o gene é necessário para a correcta formação daquele sistema arterial.
Segundo Moisés Mallo, as técnicas utilizadas neste projecto, em combinação com outras já existentes, permitirão conhecer as causas desta doença, mas também de outras síndromas cardiovasculares. A Bolsa de Investigação Pfizer será atribuída em três anos: 15.000 euros no primeiro e 7.500 nos outros dois, explicou.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6698887)


