Biotecnologia: Fundo de investimento privado vai apoiar projectos nacionais 20 Janeiro

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Projectos empreendedores portugueses na área da biotecnologia vão ser apoiados por um fundo de investimento privado, com um mínimo de 50 milhões de euros, que tem entre os seus promotores dois especialistas internacionais, foi hoje anunciado. O principal promotor da iniciativa é Nuno Arantes-Oliveira, um cientista de formação e director-geral da ATGC, uma empresa de transferência tecnológica que estabelece colaborações a longo prazo com grupos de investigação académicos.

Para criar o Fundo Português para a Biotecnologia, um “projecto totalmente independente”, Arantes-Oliveira juntou-se a Stan Kugell, um empreendedor norte-americano especializado em apostar em projectos potencialmente rentáveis, e a Michael Steinmetz, administrador da “maior empresa de capital de risco dedicado à biotecnologia do mundo”, disse.



Com “um tamanho mínimo de 50 milhões de euros”, o fundo pretende reunir investidores portugueses e estrangeiros, como grandes fundações, bancos, outros capitais de risco, empresas ou fundos de pensões. “Neste momento estamos a dialogar”, disse Arantes-Oliveira, considerando o projecto atractivo porque “o risco é controlado”, enquanto que a credibilidade e conhecimento sobre o sector dos promotores constitui um factor de tranquilidade para os investidores. Parte deste fundo “vai ser investido em Portugal nos melhores projectos de biotecnologia ou ciências da vida”, que por serem empreendedores e estarem numa fase muito precoce comportam “muito risco”, explicou.


“A maior parte do fundo será investido fora de Portugal em projectos mais maduros e com menor risco”, indicou aos jornalistas, à margem da discussão da Estratégia Nacional para a Biotecnologia que hoje decorreu em Lisboa. Nesta Estratégia, um documento que faz o diagnóstico do sector em Portugal apresentando possíveis medidas para potenciar o seu desenvolvimento, a questão do financiamento é apontada como um dos obstáculos a ultrapassar. “Existe falta de financiamento para a multiplicidade de projectos e estruturas de Investigação & Desenvolvimento na área das ciências da vida e de capital de risco que responda às necessidades das empresa (na maioria emergentes) do sector”, lê-se.


Para Arantes-Oliveira, este novo projecto “conjuga duas grandes vantagens: é um objecto de investimento extremamente atractivo” e apesar disso tem “um valor social e económico para o país relevante”. “Como investir em biotecnologia em Portugal é muito arriscado compensa-se investindo fora”, notou. Além disso, “vamos ter acesso aos melhores projectos, o que dá grande segurança aos investidores, porque os promotores têm um grande historial de sucesso no sector”, frisou.


“Portugal está no momento ideal” para apostar no sector da biotecnologia, uma vez que existem melhorias na base científica mas “ainda não há realmente criação de valor”. “Falta o aproveitamento económico do potencial científico, ou seja, traduzir os avanços científicos em riqueza económica”, defendeu.


O Fundo estará totalmente constituído até ao final do ano, devendo começar a investir em projectos no início de 2006. Questionado sobre as áreas em que o país poderá ser mais competitivo, Arantes-Oliveira considerou que um “dos grandes problemas nacionais é que não existe grande massa crítica em nenhum sector”. Ao mesmo tempo isso significa que “estamos praticamente em posições de escolher praticamente qualquer área”, mas o responsável considera que “as mais atractivas a nível mundial são a descoberta e desenvolvimento de novos fármacos, algumas área de dispositivos médicos e a nanotecnologia [miniaturização]“. “Mas não está excluída intervenção em áreas onde Portugal possa ter especial vocação, como o mar”, disse.


Sobre a discussão da Estratégia para o sector promovida pela Associação Portuguesa de Bioindústrias, com o apoio do Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior, Nuno Arantes-Oliveira considerou que a biotecnologia não existe como sector em Portugal, estando agora “a começar”. “E sem este tipo de projectos [Fundo de investimento] acho que não vai existir biotecnologia em Portugal nos próximos 20 anos”, disse, concordando que a questão do financiamento é crucial mas que os restantes problemas poderão ser resolvidos se houver casos de sucesso. Será o “efeito bola de neve”, uma vez que os projectos que funcionarem vão dar o exemplo, ao mesmo tempo que contribuirão para o crescimento do fundo, explicou.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6682791)

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