Premiada descoberta portuguesa que pode ajudar a tratar leucemia 19 Janeiro
Comments Off
A descoberta de um mecanismo molecular que poderá ajudar ao tratamento de um tipo de leucemia aguda, tornando mais eficaz a quimioterapia, valeu a Susana Constantino Rosa Santos o Prémio Pulido Valente Ciência, ontem entregue em Lisboa. A investigadora, de 31 anos, desenvolveu esta investigação durante o pós-doutoramento que realizou no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, em associação com o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) de Oeiras.
O artigo premiado com 10.000 euros – “Internal and external autocrine VEGF/KDR loops regulate survival of subsets of acute leukemia through signaling pathways” – foi já publicado na prestigiada revista internacional Blood.
“Há proteínas e factores que são necessários para manter as células vivas. O VEGF é o factor necessário para a sobrevivência das células que revestem os vasos sanguíneos. Contudo, este factor é também expresso em células leucémicas”, explicou a investigadora, em declarações à Agência Lusa. Este factor, por sua vez, “liga-se a proteínas na membrana externa das células que revestem os vasos sanguíneos”, sendo o KDR um dos receptores desse factor.
Assim que o receptor se liga com o VEGF inicia-se “uma reacção em cadeia no interior das células e a resposta é a sobrevivência”, continuou. “O que demonstrámos foi que há dois mecanismos de activação do VEGF por meio do KDR que são necessários à sobrevivência das células leucémicas”, sustentou. Dessa forma, se ambos os mecanismos forem bloqueados ou inibidos, “é potenciado o efeito da quimioterapia, havendo um aumento da morte das células leucémicas”, indicou.
No presente trabalho, a inibição do VEGF foi feita através do “uso de inibidores químicos ou de anticorpos dirigidos para estas proteínas”, afirmou à Lusa. Os mecanismos moleculares revelados nesta investigação serão importantes no desenvolvimento de novos alvos terapêuticos com potencial impacto no tratamento de leucemias agudas da linhagem mieloide, doença não muito frequente mas extremamente agressiva, segundo Susana Constantino dos Santos. Seguir-se-ão testes in vitro, depois em modelos animais e só depois em células humanas, sendo ainda necessário testar a própria toxicidade dos produtos químicos utilizados noutros órgãos vitais, lembrou.
A investigadora está actualmente na Faculdade de Medicina de Lisboa, no Instituto de Biopatologia Química, onde vai continuar a fazer investigação na área vascular e de sinalização de células.
Criado em 2002 pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Fundação Professor Francisco Pulido Valente, o prémio visa distinguir o melhor trabalho publicado numa área das ciências biomédicas que descreva investigação executada por um cientista com menos de 35 anos, num laboratório português. Os dez trabalhos candidatos à edição de 2004 foram apreciados por um júri de cinco elementos, entre os quais Carlos Caldas, da Universidade de Cambrigde, Reino Unido, Manuel Sobrinho Simões, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular (IPATIMUP) da Universidade do Porto, e João Lobo Antunes, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. O prémio foi ontem entregue durante uma cerimónia presidida pela ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6676919)


