Secretário Estado alerta estudantes para perigos do mau uso da Física 13 Janeiro
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O secretário de Estado da Ciência alertou hoje centenas de estudantes de física de 70 países reunidos em Paris para os perigos do mau uso daquela ciência, que considerou no entanto importante para o conhecimento e o desenvolvimento. “O acesso ao conhecimento pode ser uma forma de exercer poder e muitos físicos sucumbiram, e ainda o fazem hoje, usando o seu saber para servir forças obscuras, muitas vezes poderes totalitários”, alertou Pedro Sampaio Nunes numa cerimónia de abertura das comemorações do Ano Internacional da Física, na sede da UNESCO.
“Tudo isto exige dos físicos uma elevada responsabilidade moral”, acrescentou, perante várias centenas de estudantes de física de 70 países. Apesar deste perigo, o governante vê na física um papel único na Ciência.
“Nenhuma outra disciplina, até hoje, conseguiu combinar de forma tão profunda e bem sucedida, a relação entre observação da natureza e a aplicação das técnicas matemáticas”, reconheceu. Sampaio Nunes foi um dos 12 intervenientes da sessão, aberta por uma mensagem de Koichiro Matsura, secretário-geral da agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, que é responsável por esta iniciativa. O ano Internacional da Física (AIT -2005) é celebrado no 100/o aniversário da publicação de alguns dos artigos mais importantes de Albert Einstein, o físico famoso pela sua Teoria da Relatividade. Para marcar esta efeméride, a Unesco organiza até sábado uma série de conferências e debates com mais de mil participantes, entre os quais se destacam sete vencedores de prémios Nobel, mas também dirigentes de empresas e muitos cientistas.
O objectivo dos responsáveis é “explicar, convencer e trocar” opiniões para tornar a Física mais acessível e popular junto do grande público e incentivar os jovens a seguir esta área. De Portugal estão presentes 17 jovens estudantes, seleccionados pelos departamentos de Física e pela Sociedade Portuguesa de Física pela sua prestação escolar e pelo seu desempenho. Na delegação viajaram ainda o secretário de Estado da Educação, Diogo Feio e o Comissário Nacional para as Comemorações do AIF-2005, José Dias Urbano.
“Esta é uma das disciplinas em que Portugal deve investir”, defendeu Diogo Feio, propondo uma carga horária específica para experiências escolares básicas desde o primeiro ciclo de ensino básico. O ministério da Educação encomendou ainda um estudo sobre o ensino da Ciência, que deverá ser apresentado até ao final do ano. “Espero que a eventual mudança de Governo não prejudique este trabalho, porque o país precisa de políticas a médio-prazo”, frisou Diogo Feio.
Embora conscientes da importância deste acontecimento para divulgar a ciência, os estudantes mostraram-se ansiosos por ouvir alguns dos intervenientes. “Em Portugal é difícil ouvir estas pessoas”, admitiu Diana Guimarães, estudante de engenharia física no 4º ano na Universidade Nova de Lisboa.
A nível nacional estão programadas várias iniciativas e medidas para assinalar o AIF-2005, entre elas a dinamização da participação em encontros internacionais, a realização de concursos como as Olimpíadas da Física ou o Eureka, destinado a alunos do secundário. Serão ainda promovidas exposições, onde se destaca “à Luz de Einstein”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, mostra que posteriormente será instalada permanentemente no Museu da Ciência e Tecnologia, em Coimbra.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6664458)


