Transgénicos: Confederação Agricultura alerta para falta condições em Portugal 10 Janeiro

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A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alertou hoje para a falta de “condições técnicas e logísticas” em Portugal para controlar com eficácia o cultivo de milho geneticamente modificado em coexistência com espécies “mais tradicionais” deste cereal de regadio. A CNA contesta a intenção do actual governo em publicar, através de portaria, a regulamentação para o “imediato cultivo” de milhos transgénicos.

Em comunicado, a CNA rejeita a posição do ministro da Agricultura, Carlos Costa Neves, de que esta [cultivo de milho geneticamente modificado] seja “uma daquelas matérias que um governo de gestão deve decidir”, alegando que se trata de uma “questão urgente”.



“Nesta matéria, a haver urgência, esta deve ser no sentido de ganhar tempo, no sentido da precaução, da informação e do debate prévios antes de qualquer decisão final”, acrescenta a CNA.


A confederação, com sede em Coimbra, critica a “pressa do Governo” neste processo e lembra que a directiva da União Europeia sobre a coexistência de milho transgénico e milho tradicional “prevê a possibilidade de cada Estado-membro aplicar o princípio da precaução e as cláusulas de salvaguarda com o objectivo de prevenir melhor a introdução de organismos geneticamente modificados (OGM)”. “É reconhecido que Portugal não dispõe de condições técnicas e de logística para controlar com eficácia essa coexistência e que a grande maioria dos agricultores portugueses até nem dispõe de áreas e regadios suficientes para o efeito”, alerta a confederação.


A CNA afirma, ainda, que “ninguém pode garantir que não aconteça a contaminação de outras culturas, solos e águas”. “Por que será assim tão urgente o Governo de gestão decidir, para o imediato, sobre uma matéria que durante anos teve uma moratória que proibia o cultivo e a comercialização de OGM na União Europeia?”, questiona.


A defesa do ambiente, biodiversidade, saúde pública e “soberania alimentar” portuguesa é uma das razões da posição da CNA, que teme uma “sujeição crescente” dos agricultores face às “grandes multinacionais da biotecnologia”. A CNA apela ao Presidente da República, Assembleia da República, a todas organizações e aos portugueses em geral para “impedirem esta intenção do Governo português em precipitar o cultivo de milhos transgénicos em Portugal”.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6655514)

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