Células Estaminais: Cientistas portugueses lançam hoje associação 7 Janeiro

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Cientistas portugueses apresentam hoje uma associação destinada a fomentar a investigação e divulgação do uso das células estaminais e da terapia celular num futuro tratamento de doenças graves como a diabetes, Parkinson ou Alzheimer. Trata-se da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular (SPCE-TC), que integra 70 investigadores portugueses presididos pelo professor da Universidade do Minho Rui Reis e que terá como vice-presidente o investigador Mário de Sousa (Universidade do Porto).

A ideia dos fundadores é congregar “a maioria dos investigadores portugueses que efectuam investigação de excelência em células estaminais, adultas, do cordão umbilical e embrionárias, e/ou procuram desenvolver novas terapias celulares com base no uso de qualquer desses tipos de células”.



As células estaminais têm um extraordinário potencial cujo destino ainda não foi determinado, podendo transformar-se em vários tipos de células diferentes, através de um processo de diferenciação, refere um documento de apresentação da SPCE-TC. Idealmente, acrescenta o documento, as células estaminais “têm a capacidade de poder vir a substituir qualquer célula doente que tenhamos no corpo e, se utilizadas adequadamente em terapias celulares ou engenharia de tecidos, podem regenerar qualquer tipo de tecido ou órgão danificado”.


Segundo a Sociedade, “é fácil imaginar que avanços científicos e tecnológicos nesta área podem levar à criação de soluções clínicas actualmente inexistentes para problemas tão graves como diabetes, Parkinson, Alzheimer, artrite, osteoporose, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas e até mesmo a paralisia, entre muitas outras patologias”. A SPCE-TC pretende afirmar-se como um fórum onde todos os investigadores portugueses, a trabalhar no país ou no estrangeiro, tenham oportunidade de trocar avanços científicos e ideias para novos projectos.


Pretende ainda ser uma fonte de informação e de educação para o público em geral, jornalistas, políticos e agências financiadoras e reguladoras, em temas que vão desde o explicar da situação actual e necessidades futuras em investigação com células estaminais, às potencialidades de algumas descobertas para posterior utilização clínica, até a existência de eventuais problemas éticos. A Sociedade acredita que poderá criar “todas as condições necessárias a uma melhor visibilidade da investigação que se faz em Portugal nesta área, procurando ainda transforma-la numa prioridade da política científica nacional, de forma que seja possível potenciar a massa crítica existente e competir com outros países neste domínio”.


A SPCE-TC pretende ainda constituir-se como “um interlocutor credível e de reconhecida competência técnica, de modo a que lhe seja reconhecido o direito de ser um parceiro técnico-científico incontornável e necessariamente ouvido antes da tomada de decisões políticas sobre o tema”. Durante o encontro de hoje em Lisboa, que tem patrocínio do Presidente da República, um representante da Comissão Europeia irá apresentar um resumo da situação legislativa sobre as células estaminais e a terapia celular nos 25 países da União Europeia.


As células estaminais foram reconhecidas desde que a histologia e a embriologia desvendaram o segredo da vida, dos tecidos e dos órgãos, mas só nos últimos cinco anos se conseguiram desenvolver métodos eficazes para a sua caracterização e purificação com vista ao seu uso em programas de regeneração e transplante de tecidos.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6646215)

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