Robots pintam quadros em Serralves 6 Janeiro
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Uma dúzia de pequenos robots vão demonstrar sexta-feira na Casa de Serralves, no Porto, uma nova forma de arte que passa por pintar um quadro através de movimentos aleatórios sobre as telas. Os denominados “robots pintores” são, segundo disse hoje à Lusa fonte ligada à iniciativa, uma “espécie de campânula” com duas canetas, de cores diferentes, e sensores que visam evitar o choque entre si e atrair cada um aos borrões de tinta entretanto já deixados na tela.
Foram concebidos na sequência de um projecto do professor catedrático do Instituto Superior Técnico de Lisboa, Henrique Garcia Pereira, e do artista Leonel Moura, submetido há 18 meses à Fundação Ciência e Tecnologia.
Orçado em cerca de 30 mil euros, o projecto pretendeu “aplicar o princípio de vida artificial ao domínio da pintura, onde não há um objectivo definido”, afirmou à Lusa Henrique Garcia Pereira. A ideia foi contrariar o princípio de que todos os robots são criados para executar uma determinada tarefa. Neste caso, as pequenas máquinas são apenas programadas para uma utilização lúdica. “Os robots não comunicam uns com os outros, há apenas uma comunicação indirecta através do ambiente em que se encontram”, afirmou o professor.
Sobre uma tela, os robots passeiam sem nenhum movimento especial, largando pintas, linhas ou borrões de tinta, mas a partir de certo momento, são “atraídos” pelo que já foi pintado e “acentuam” a sua vizinhança com mais cor. Desta forma, “começam a surgir formas que resultam da interacção indirecta através do ambiente”, explicou Henrique Garcia Pereira.
A existência de um sensor que indica à máquina a proximidade de uma linha de cor faz com que o robot se dirija para o tal ponto e acentue essa mesma cor na vizinhança.
Esta demonstração decorrerá durante o lançamento do livro “Man & Robots”, da autoria de Leonel Moura e Garcia Pereira. A obra, de cerca de 130 páginas, aborda esta nova experiência, “explicando o seu fundamento, contextualizando o problema”, disse o professor catedrático. O livro refere que “a arte produzida por robots pode alterar não só a forma como a abordamos e a nossa filosofia, como também a condição para produzir arte”.
Questiona e afirma ainda “qual é a ideia de persistir em fazer determinadas coisas que as máquinas asseguram melhor? Se a arte não tem propósito, como é definido pelas teorias pós-modernas de hoje, as máquinas são os melhores criadores”. O lançamento do livro, que será apresentado pelo professor Abílio Cavalheiro da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, está marcado para as 21:30.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6645289)


