Portugal Fora das 500 Empresas Europeias Que Mais Investem em I&D 22 Dezembro
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Portugal é o único país do antigo grupo dos 15 da União Europeia (UE)) que não consta de uma lista de 500 empresas que mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D) em 2003. A primeira lista deste género foi feita a pedido da Comissão Europeia pelo Centro Comum de Investigação (JRC, na sigla inglesa), em Ispra, Itália. O documento mostra ainda que houve uma tendência de diminuição do investimento em investigação na UE, em geral, ao contrário da tendência nos Estados Unidos e Japão. O único país do grupo da nova adesão que consta da lista das 500 empresas é a Hungria.
Do documento distribuído pela Comissão Europeia este mês consta ainda uma listagem das dez empresas que, em cada país da UE, mais investem. No topo das dez empresas escolhidas em Portugal, com base nos respectivos relatórios e contas está em primeiro o Banco Português de Investimento (BPI), seguido da Sonae SGPS e da Electricidade de Portugal (EDP). São estas aliás as únicas empresas portuguesas que investiram acima de um milhão de euros na investigação.
O BPI investiu 3,9 milhões de euros, a Sonae 1,1 milhões e a EDP um milhão de euros. Mas a soma do investimento em 2003 das dez empresas portuguesas referidas, que é de 8,5 milhões de euros, não chega ao investimento anual da última empresa das 500 mais europeias, a farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic, que investiu nove milhões de euros em investigação em 2003. José Amaral, administrador do BPI, mostra-se algo admirado com a classificação feita pelo JRC, que pertence à Comissão Europeia, para Portugal: “Não posso comentar estes dados uma vez que desconheço o critério que baseou a estatística.” Cristina Carneiro, responsável de comunicação da Sonae, diz que esta posição no “ranking” das empresas nacionais se deve, sobretudo, a “uma dinâmica de inovação dos vários negócios em que o grupo está envolvido”. A responsável adianta ainda que o grupo criou recentemente o Fórum de Inovação Sonae, de partilha das melhores práticas de I&D, cujos resultados serão avaliados no próximo ano.
Mas no global do contexto europeu a situação também não é positiva. Num comunicado sobre este “ranking”, e em forma de conclusão, a Comissão Europeia afirma que o investimento em investigação das empresas europeias não aumentou em 2003, sofreu mesmo um decréscimo de dois por cento em relação ao ano anterior, ao contrário das parceiras norte-americanas e asiáticas, que aumentaram o investimento em 3,9 por cento. Este decréscimo do investimento sente-se não só na totalidade das 500 empresas tidas em conta, mas também nas de topo, pois 12 das 25 primeiras reduziram o investimento feito em comparação com 2002. A Comissão alerta ainda para o facto de as 20 empresas que mais investem serem responsáveis por 55 por cento do investimento feito pela lista das 500 do “ranking”. Outro aspecto curioso é o facto da Alemanha, França e Reino Unido concentrarem 74 por cento do investimento feito em investigação na UE. “É preciso mais do que nunca atingir um investimento de três por cento do Produto Interno Bruto em investigação e desenvolvimento até 2010, um compromisso feito ao mais alto nível pela União Europeia”, defendeu Janez Potocnik, o novo comissário europeu para a Investigação, recordando a meta traçada pela Estratégia de Lisboa, em 2000, quando Portugal presidiu à União Europeia, e fixada definitivamente no Conselho Europeu de Barcelona, em 2002. “Dois terços desse investimento terão de vir do sector privado. A UE tem de criar um ambiente propício a essa meta, mas o esforço das empresas é crucial”, acrescentou. A percentagem média de investimento em I&D dos países da UE está fixada nos 1,8 por cento. Em Portugal, e de acordo com o último Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional, o investimento em relação ao PIB era de 0,83 por cento, muito abaixo da média europeia.
Nos cinco primeiros lugares da lista de empresas europeias estão a Daimler Chrysler, a Siemens, a Volkswagen, a Nokia e a GlaxoSmithKline, representando as áreas que mais investem não só a nível europeu mas a nível mundial – ou seja, a indústria automóvel, a biotecnologia e farmacêutica e as tecnologias da informação e equipamento electrónico.
FONTE: Público


