Nature publica trabalho de portuguesa sobre multiplicação celular 22 Dezembro

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Uma cientista portuguesa realizou a primeira investigação sistemática sobre o modo como um grupo de moléculas de proteínas regula a multiplicação das células, um processo associado a doenças como o cancro, revela a revista Nature.

Os resultados da investigação realizada por Mónica Bettencourt- Dias, publicados na edição de quinta-feira da prestigiada revista de divulgação científica Nature, descrevem a função de 80 destas moléculas de proteína, denominadas cinases, na função de multiplicação celular. Mónica Bettencourt-Dias explicou à Agência Lusa que a multiplicação das células “é um processo tão fundamental” que se regista em todas as células, mesmo nas cancerosas, nas quais se assiste a uma multiplicação descontrolada.

As cinases de proteína pertencem às famílias de proteínas mais abundantes e desempenham nas células o papel de “interruptores moleculares”, ligando ou desligando processos tão diversos como o movimento de células e a divisão celular. A também investigadora associada do departamento de genética da Universidade de Cambridge adiantou que duas cinases já haviam sido anteriormente identificadas como estando envolvidas em vários tipos de tumores humanos, desde o cancro do cólon, ovário, pulmão e estômago. A sequenciação do genoma da mosca da fruta (Drosophila) e uma técnica recente, designada por silenciamento de genes realizada através de interferência por RNA (um dos dois tipos de ácido nucleico que podem constituir o código genético), foram, conforme relatou Mónica Bettencourt-Dias, “duas ajudas importantes” no trabalho.

A equipa de Mónica Bettencourt-Dias no laboratório do Professor David Glover, na Universidade de Cambridge, silenciou individualmente as 228 cinases da mosca da fruta e identificou quais as que estão directamente envolvidas na multiplicação das células, assim como outras que estabelecem a ligação entre a multiplicação e a monitorização do estado fisiológico da célula. Ao longo de dois anos e meio de trabalho, foram identificadas 80 cinases envolvidas na multiplicação das células. A investigação vai prosseguir, explicou Mónica Bettencourt- Dias, com um estudo mais aprofundado da função de cada uma das cinases identificadas e “ver se se comportam da mesma maneira no corpo humano e se a sua expressão está ou não associada a células cancerosas”. Este trabalho contou com o apoio de um laboratório americano e de uma empresa de biotecnologia inglesa.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6615809)

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