Estudo demonstra que cor da pele influencia interpretação de um sorriso 20 Dezembro
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As pessoas tendem a valorizar mais o sorriso de indivíduos com uma cor de pele igual à sua, segundo um estudo hoje divulgado, que atribui este facto a estereótipos sociais. Em declarações à agência Lusa, o psicólogo Freitas-Magalhães, director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (Felgueiras) e autor do estudo, destacou ainda que as mulheres são mais influenciadas do que os homens pela cor de pele quando percepcionam a exibição de um sorriso.
De acordo com Freitas-Magalhães, quando confrontados com dois tipos de expressão facial – o sorriso largo e a face neutra – os indivíduos de cor negra tendem a percepcionar mais positivamente o sorriso dos negros, atribuindo-lhe emoções mais positivas, enquanto os brancos o fazem também em relação a indivíduos com a sua cor de pele.
Trata-se, explicou, da “valorização do endogrupo [o grupo de indivíduos semelhantes, entendido como o próprio grupo] face ao exogrupo [o grupo externo], que tem a ver com estereótipos no contexto das regras de exibição social”. Desenvolvido durante este ano e concluído no mês passado, o estudo “A expressividade do sorriso: diferenças de género e da cor a pele” foi feito com 160 jovens portugueses e cabo-verdianos. Segundo salientou o director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, trata-se de um estudo “inédito e exclusivo”, já submetido para publicação na revista da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra.
O trabalho do único psicólogo português a estudar as funções e repercussões do sorriso no desenvolvimento das emoções e atitudes interpessoais segue-se a um outro intitulado “O efeito do sorriso na percepção psicológica da afectividade”, apresentado recentemente em Lisboa na 9ª Conferência Europeia sobre Motivação e Afecto.
Em 2005, o investigador vai participar em Granada, Espanha, na 10ª Conferência Europeia de Psicologia, onde apresentará um estudo inédito sobre o efeito do sorriso em gémeos. O objectivo, adiantou à Lusa, é, através da análise de faces tão semelhantes quanto possível, estudar o sorriso sem a influência da variável parasita que é o rosto, que altera sempre a percepção de um sorriso.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6609516)


