Encontro Reúne Mais de 180 Jovens Cientistas em Biociências 17 Dezembro

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Portugal tem três programas de doutoramento em biociências que, como é natural, realizavam os seus encontros anuais individualmente. Este ano, porém, experimentou-se uma nova fórmula: agrupar num mesmo evento os mais de 200 alunos do Programa de Doutoramento em Biologia Experimental e Biomedicina da Universidade de Coimbra (PDBEB), do Programa Graduado nas Áreas da Biologia Básica e Aplicada da Universidade do Porto (GABBA) e, por fim, do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biomedicina (PGDB). Desde ontem, 187 jovens investigadores estão reunidos num hotel do centro do Porto para partilhar, em sessões que decorrem até segunda-feira, os fascínios e as dificuldades dos projectos que desenvolvem.



“O nosso objectivo é permitir que estes jovens troquem experiências não só científicas, mas também pessoais. É importante que os alunos dos três programas se conheçam e criem amizades, esta é a melhor forma de evitar competições entre os cursos. O ambiente da ciência em Portugal é muitas vezes fechado e, aqui, o que queremos é que haja informalidade”, explicou ao PÚBLICO Miguel Seabra, director do PGDB e o mentor da reunião conjunta. Ao seu lado, Fátima Carneiro, uma das responsáveis pela coordenação do GABBA, concorda e acrescenta: “Se por um lado há informalidade, por outro há muito rigor e trabalho nas apresentações.”

Além dos “posters” expostos na sala do café, os cinco dias de reunião possuem um programa intenso: as sessões abrangem projectos que vão da biologia molecular e nuclear à patologia humana, passando pela imunologia, neurobiologia, genética e oncologia. Boa parte das investigações está a ser feita em parceria com laboratórios internacionais, o que ajuda a fortalecer as relações institucionais entre Portugal e outros países. E também a ter saudades de casa e dos colegas. A jovem Catarina Grandela, por exemplo, confessa que valeu a pena vir de propósito da Austrália. “Ainda estou um pouco exausta da viagem, mas havia tantas pessoas que queria rever”, diz a bióloga de 25 anos.

Catarina Grandela está a estudar, na Universidade de Monach, em Melbourne, qual é o papel de uma proteína especial – a P53 – na regulação da apoptose (morte da célula) e da diferenciação em células estaminais humanas. Trata-se de células embrionárias que, como possuem apenas cinco ou seis dias de desenvolvimento, têm a capacidade de se transformar em todos os tecidos do corpo humano. Por isso, diz-se que são pluripotentes. Neste momento, a comunidade científica acredita que, com o apuramento de técnicas biotecnológicas – a clonagem terapêutica, por exemplo -, estas células podem ajudar a tratar doenças degenerativas. “Quanto mais dados tivermos sobre os mecanismos que regulam estas células, mais fácil será manipulá-las em laboratório”, explica Carina Grandela, que deverá defender a sua tese apenas em 2007.

Já Ana Antunes Martins, de 25 anos, espera concluir o doutoramento no final do próximo ano. Esta aluna do GABBA participa, na University College, em Londres, Inglaterra, numa investigação sobre a formação de memórias de longo prazo em ratinhos fêmeas e machos. Para levar a cabo o estudo, que avaliava sobretudo a lembrança dos espaços, criou-se uma pequena piscina com apenas uma saída. Sabendo que estes bichos não costumam apreciar a convivência com a água, a equipa treinou-os a encontrar o túnel que lhes devolve a liberdade. Aqueles que conseguirem memorizar o mapa da piscina levam menos tempo para encontrar a tal porta.

Da mesma forma que homens e mulheres possuem estratégias diferentes para fixar um caminho – eles costumam calcular distâncias, elas agarram-se a um ponto de referência -, os ratinhos também revelaram respostas diferentes de acordo com o seu sexo. Ainda não há conclusões cabais, mas os resultados preliminares indicam que, em termos neurológicos, o género dos animais está associado à produção díspar de determinadas proteínas. “Se compreendermos, ao nível molecular, qual é o mecanismo que rege a formação de memórias a longo prazo, poderemos ter a chave para evitar o seu declínio, algo que acontece na doença de Alzheimer, por exemplo”, explica a investigadora.

FONTE: Público

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