Pai da Dolly admite, no Porto, aplicações na medicina humana 13 Dezembro
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O investigador escocês que clonou a ovelha “Dolly”, Ian Wilmut, admitiu hoje no Porto que a aplicação de técnicas de clonagem poderá conduzir “daqui a uns anos” à descoberta de tratamentos para doenças genéticas humanas.
“Mas, se calhar, serão necessárias décadas”, afirmou Ian Wilmut, numa conferência sobre “Clonagem na Biologia e na Medicina” promovida pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).
“O que é necessário é melhorar a eficiência das técnicas de clonagem. É esta a chave do problema”, salientou o investigador, na sua primeira visita a Portugal. Ian Wilmut reassumiu-se contra a clonagem humana, mas a favor da utilização destas técnicas na investigação, de modo a ser possível efectuar testes “mais rápidos e mais baratos” na detecção da origem de várias doenças.
A clonagem consiste na transferência de uma célula dadora para um ovócito a que foi retirado previamente o núcleo, tendo já sido clonadas com sucesso espécies como a ovelha (1997), rato, porco, gato, coelho, cabra, vaca e mula. Ian Wilmut está actualmente a orientar a tese de doutoramento de um jovem investigador português, Ricardo Ribas, que pretende aplicar em ratos uma nova técnica de transferência de núcleo, antes aplicada em bovinos, que é mais simples, barata, rápida e fácil de aprender do que as anteriores. “A técnica usada até hoje é bastante tradicional e cara”, salientou Ricardo Ribas, manifestando-se esperançado no sucesso das suas experiências.
O primeiro rato clonado com a nova tecnologia foi produzido em Junho, usando células estaminais (do cordão umbilical) como células dadoras, estando actualmente “de boa saúde” e mais pesado do que outras crias com a mesma idade. Ricardo Ribas atribuiu a sua opção por efectuar o doutoramento no Reino Unido à ausência de legislação em Portugal.
“As pessoas pensam na polémica de produzir embriões humanos, mas não é isso que os cientistas querem”, referiu, realçando que o uso de células estaminais na investigação de doenças genéticas “é uma área que tem imenso futuro”.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6592366)


