Telhas Convertem Luz do Sol em Energia Eléctrica 10 Dezembro

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A conversão da energia luminosa do Sol em energia eléctrica é o cerne do projecto Alpha Solar, no qual participa um grupo de investigadores portugueses do CEMOP (Center of Excellence in Microelectronics Optoelectronics and Processes) da Uninova – Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. O projecto, financiado pela União Europeia e pela multinacional Akzo Nobel, nasceu em 2002 e prolongar-se-á até ao próximo ano.

O Alpha Solar resulta da parceria entre a Escola Politécnica de Paris e de Orleães, a Universidade de Eindhoven (Holanda) e a Uninova e aposta na utilização da luz solar para produzir energia eléctrica directamente.

Em Portugal, a investigação sobre células fotovoltaicas está virada para a construção, mais concretamente para telhas feitas de material fotovoltaico que permitem uma ligação directa à rede sem qualquer tipo de bateria. Ou seja, não só uma casa equipada com estas telhas pode produzir a sua própria energia, como tem ainda a capacidade de fornecer energia extra à rede.

Os geradores de electricidade podem ser instalados de uma forma distribuída em cada casa, permitindo aos consumidores gerar a sua própria electricidade. Mas, num futuro próximo, poderiam estar ligadas a uma central eléctrica convencional, fornecendo-lhe energia. Esta inovação permite fazer um encontro de contas entre a energia que se compra e a que se vende à rede.

As telhas, constituídas por material fotovoltaico, ao contrário dos vulgares painéis solares, por exemplo, têm também a vantagem de não alterarem a estética das habitações. Na Alemanha, o Governo começou já a dinamizar a utilização de material fotovoltaico em construções, o que tem provocado uma “revolução em termos culturais muito positiva”, diz Rodrigo Martins, director executivo do CEMOP. “Pela primeira vez, as pessoas não têm uma conta de energia para pagar quando regressam de férias: têm um cheque da empresa fornecedora de electricidade para receber.”

Actualmente, o custo de instalação destas redes rondaria os 7,5 euros por metro quadrado, e a energia fornecida custaria 40 cêntimos por KW/hora – cerca de 25 por cento mais cara que a electricidade fornecida de modo convencional. Mas a energia fotovoltaica apresenta imensas vantagens em relação à energia convencional. Ao contrário das habituais estações de geração de electricidade, a energia fotovoltaica não necessita de uma instalação de grande escala para operar. Trata-se ainda de uma energia não poluente, que não se deteriora facilmente (as células fotovoltaicas duram décadas) e que não exige grande manutenção. Pode ainda resolver as dificuldades de ligação a uma central eléctrica em comunidades isoladas.

As suas aplicações mais importantes prendem-se com a indústria, automóveis, barcos, e até outros instrumentos mais básicos, como calculadoras. Neste momento, o CEMOP está a obter níveis de eficiência de conversão (quantidade de energia eléctrica obtida da luz solar com o material fotovoltaico) na ordem dos 13 por cento, o que, para Rodrigo Martins, é um verdadeiro recorde.

FONTE: Público

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