Português defende investigação de excelência em Portugal 2 Dezembro
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O investigador português Paulo Veríssimo, candidato ao Prémio Descartes da ciência, hoje atribuído, deu hoje o exemplo da participação de pequenos países no concurso para mostrar que “vale a pena” fazer investigação em Portugal, investindo na excelência.
O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o único português presente numa equipa finalista, constituída por seis investigadores provenientes do Reino Unido, França, Suiça e Alemanha, foi co-autor de um projecto sobre a construção de sistemas informáticos de larga escala, como a Internet, resistentes a ataques “piratas” e a falhas.
O projecto não ganhou, mas serve de exemplo, tal como os vencedores – liderados por um sueco e por irlandês -, a Portugal, mostrando a importância de liderar um projecto, investigar em colaboração com outros países e investir na excelência. “Trata-se de pequenos países que apostam na investigação, mas com critério, de forma a privilegiar os temas e grupos de excelência que reproduzam trabalho e em lideres de investigação em Portugal”, afirmou o cientista à Agência Lusa, acrescentando: “mais do que na investigação, é preciso investir na capacidade de fazer investigação em Portugal”.
O prémio de ciência Descartes, de um milhão de euros, foi hoje atribuído em Praga a dois projectos de investigação, um dos quais sobre o envelhecimento humano, que poderá permitir o desenvolvimento de novas terapias para que se possa viver mais tempo. Trata-se de um trabalho sobre o “complexo biológico” da idade, que poderá levar ao desenvolvimento de terapias e novos medicamentos anti-envelhecimento e para determinadas doenças, sabendo-se de antemão o quanto as pessoas gostariam de viver mais anos. O trabalho “Segredos das doenças degenerativas e o envelhecimento revelados na mitocondrias” (apelidadas de baterias das células) consistiu no estudo do seu ADN, que se pensa ser uma das chaves do processo de envelhecimento biológico e a causa de vários tipos de doenças, como o Parkinson, epilepsia, diabetes, infertilidade ou falhas cardíacas. O trabalho foi realizado por cinco investigadores da Finlândia, Suécia, Reino Unido, Itália e Franca. “O dinheiro do prémio será utilizado para aprofundar a nossa colaboração e abre uma janela entre a União Europeia e os cidades”, comentou o coordenador da investigação, Howy Jacobs.
O outro projecto, elaborado por cientistas da União Europeia e Estados Unidos, foi premiado pelo trabalho desenvolvido na construção de redes de comunicação mais seguras, em especial na Internet, através da investigação no campo da criptografia quântica, que terá influência nas redes de comunicação globais, como o “e-business” e o “e- government”. O trabalho – “Do teletransporte quântico a comunicação segura” – baseou-se no conceito de “teletransporte” conhecido através da famosa série Guerra das Estrelas, em que as pessoas eram transportadas através da luz, usando precisamente partículas de luz, o que pode proporcionar infra-estruturas mais seguras ao tornar virtualmente impossível interferir com comunicações on-line.
Ao todo, apresentaram-se a concurso 350 trabalhos, tendo-se chegado a oito finalistas de 18 países das mais diversas áreas – da prevenção ao combate ao cancro, incluindo novas técnicas de detecção, os tratamentos cardíacos ou a nanociencia -, entre os quais o projecto que envolvia o cientista português, sobre Internet segura.
Pela primeira vez, foi atribuído o prémio Descartes para a comunicação da ciência, no valor de 250 mil euros, que galardoou cinco personalidades entre as 19 finalistas pelo seu “papel excepcional” em levar a ciência e tecnologia a grandes audiências na Europa.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6564802)


