Físico Português nos EUA Ganha Prémio para Jovens Investigadores 2 Dezembro
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O físico português Ivo Souza foi distinguido, nos Estados Unidos, com o Prémio George E. Valley, atribuído pela Sociedade Americana de Física. No valor de 20 mil dólares (quase 16 mil euros), este prémio reconhece cientistas no início da carreira por terem dado uma contribuição significativa à física.
A contribuição do cientista português, a trabalhar agora na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA, foi na área da polarização eléctrica – um fenómeno que ocorre nos materiais não condutores de electricidade e em que os electrões se movem um bocadinho quando se aplica um campo eléctrico. A compreensão a nível fundamental desta propriedade dos materiais isolantes pode ter aplicações várias, como no desenvolvimento de novos transístores nos computadores.
O que significou o prémio para Ivo Sousa, de 32 anos? “Foi uma completa surpresa. É extremamente lisonjeiro ver o trabalho reconhecido, para além de significar 20 mil dólares, antes dos impostos”, disse ao PÚBLICO o físico, cujo nome foi proposto por outros investigadores. “É gratificante que o sistema científico nos EUA encoraje as pessoas desta maneira.”
Em Março, Ivo Souza receberá a distinção num encontro da Sociedade Americana de Física, em Los Angeles. “Esta é a principal associação de física americana, mas atribui poucos prémios, pelo que é importante que um deles tenha sido atribuído a um português”, sublinhou, por sua vez, o físico José Luís Martins, do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, com quem Ivo Souza trabalhou.
Foi no IST que Ivo Souza se licenciou, em engenharia física tecnológica. Em 2000, doutorou-se na Universidade de Illinois e o pós-doutoramento fê-lo depois na Universidade de Rutgers. No início deste ano foi contratado como professor assistente pela Universidade da Califórnia.
Nos motivos para a atribuição do prémio – que foi criado em 2000 e é atribuído de dois em dois anos – invocam-se “avanços fundamentais na teoria da polarização, localização e campos eléctricos em cristais isolantes”. O que é, então, a polarização?
Quando se aplica um campo eléctrico a um material isolante (plástico, por exemplo), os electrões não andam, como acontece nos materiais condutores (como o metal), mas movem-se um bocadinho. Ou seja, os electrões polarizam-se. Usando uma metáfora, Ivo Souza diz que podemos pensar nos electrões como estando agarrados por molas: “Quando se aplica uma corrente eléctrica, a mola estica-se um pouco, mas não se estabelece uma corrente eléctrica.”
José Luís Martins acrescenta ainda que o trabalho de Ivo Souza diz respeito à maneira como os cristais reagem a um campo eléctrico a nível microscópico. “Normalmente, o capítulo sobre a polarização eléctrica não vem correcto nos livros. O que dizem não é o que verdadeiramente se passa. Há uns dez anos, várias pessoas, entre as quais o Ivo, têm vindo a melhorar a teoria da polarização.”
Ivo Souza procura simular em computador o efeito da polarização. O objectivo é fazer previsões rigorosas sobre a resposta a campos eléctricos de cada material. Os transístores são apenas um exemplo de aplicação: com a tentativa constante de tornar as coisas mais pequenas, um dos problemas é obter materiais isolantes, e para isso é necessário conhecer bem a polarização.
Ivo Souza não põe de parte voltar a Portugal, mas nos próximos anos tenciona continuar na Universidade da Califórnia. “Por enquanto, vou ficar por aqui, porque agora tenho este lugar”, diz o investigador, que confessa ter decidido ser físico um pouco por influência dos livros de divulgação científica da editora Gradiva.
FONTE: Público


