Doença Coronária: Nova aplicação de medicamento reduz mortes em 20 por cento 2 Dezembro

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Um estudo realizado em 24 países europeus demonstrou que um medicamento existente no mercado, indicado para outras doenças, conseguia baixar em 20 por cento as mortes por doença coronária, revelou um investigador envolvido. Trata-se de um medicamento (inibidores da ECA – Enzima de Conversão da Angiotensina) utilizado há vários anos no tratamento da hipertensão e insuficiência cardíaca, que fez diminuir a mortalidade por enfartes de miocárdio e paragem cardíaca nos doentes com doença coronária estável.

Segundo Luís Providência, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, que liderou a equipa de investigadores portugueses envolvidos, o estudo abrangeu 12.218 doentes, e veio demonstrar que esse medicamento atingia tal sucesso quando comparado com o “placebo” (produto para experiências semelhante ao medicamento mas sem substância activa).



A ministração do medicamento aos pacientes veio mostrar que a diminuição da mortalidade não resultava apenas da redução da pressão arterial, “mas também graças a uma acção anti-aterosclerótica e vascular directa”.


De acordo com o investigador português, os resultados excederam as expectativas dos cientistas, que ficaram surpreendidos com o elevado sucesso do medicamento em patologias diversas daquelas para que era indicado. E o sucesso é encarado com grande dimensão social, em virtude de a doença arterial coronária (uma doença em que os vasos sanguíneos que fornecem sangue ao coração se estreitam) ser considerada internacionalmente como uma das principais causas de morte no mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), essa doença foi responsável por 12 por cento dos 56 milhões de óbitos registados em 2001.


Este estudo começou há cinco anos, denominado “Europa”, e teve a coordenação do italiano Roberto Ferrari, vice-presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia. Envolveu 424 centros de investigação de 24 países europeus. As conclusões que evidenciam o abaixamento em 20 por cento da mortalidade por doença coronária foram dadas a conhecer na revista “Lancet” em Setembro de 2003, mas a dificuldade em compreender a origem dos resultados positivos na população participante na investigação obrigou ao seu prolongamento.


Recentemente foram apresentados à comunidade científica os resultados de sub-estudos laboratoriais de biologia celular, que procuraram mostrar quais eram os mecanismos que tinham levado a esses bons resultados obtidos com o “Europa”. “Discutiu-se inicialmente que poderia ser apenas pela baixa da pressão arterial conseguida pelo medicamento, que não explicava todos os benefícios”, realçou Luís Providência, “O perindopril confirma-se como um tratamento revolucionário que pode, de facto, ser decisivo para travar a progressão da doença aterosclerótica nos doentes coronários e, desta forma, evitar a progressão da doença coronária, melhorando significativamente o prognóstico destes doentes”, afirmam os investigadores.


A partir de agora as sociedades científicas internacionais começarão a emitir recomendações para a utilização deste medicamento no tratamento da doença coronária, referiu Luís Providência, professor universitário e director do Serviço de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6563743)

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