Seminário em Lisboa Discute Investigação com Embriões 26 Novembro

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O caminho da célula ao embrião é o tema do seminário que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) promove hoje e amanhã, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O fim deste debate é reunir contributos para elaborar um parecer sobre investigação em células estaminais, que deverá estar concluído em Janeiro.


A presidente do CNECV, Paula Martinho da Silva, disse que o seminário “Ciência e Ética: da célula ao embrião” é uma oportunidade para ouvir especialistas sobre uma matéria em constante discussão.



Não há legislação em Portugal sobre a manipulação de embriões em experiências científicas, nem sequer sobre os que restam dos tratamentos de infertilidade e ficam congelados nas clínicas durante anos. Foi elaborado um livro branco sobre o estatuto a dar ao embrião, para o qual foram coligidas uma série de propostas pelo presidente do Grupo de Trabalho para a Protecção do Embrião no Conselho da Europa, Daniel Serrão. Mas o documento não foi ao ponto de atingir uma definição que possa ser usada na legislação.


Ainda assim, Paula Martinho da Silva considera que é possível o CNECV pronunciar-se sobre a investigação em células estaminais embrionárias sem o embrião ter um estatuto definido. “Mesmo sem um estatuto, o embrião pode ser protegido e, em relação à necessidade dessa protecção, há consenso”, adiantou à agência Lusa.


O seminário do CNECV vai debater os problemas da transformação de uma célula num embrião e analisar que tratamento científico, ético e jurídico pode ser dado ao embrião humano. Haverá intervenções sobre as células estaminais, o embrião humano e o seu uso na procriação medicamente assistida e na bio-indústria, com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros.


Na sexta-feira, será debatida a ciência e as questões éticas por trás da investigação com embriões, com investigadores como Leonor Parreira ou António Coutinho, e especialistas em ética e direito como Walter Osswald e Augusto Lopes Cardoso.


Na manhã de sábado, o que se pretende é uma reflexão sobre o difícil diálogo entre a ciência e a ética. Intervirão o director da unidade de financiamento da investigação científica da União Europeia e antigo presidente do Comité Director de Bioética do Conselho da Europa, Octavi Quintana-Trias e Luís Archer, geneticista e ex-presidente do CNECV.


FONTE: Público

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