Células estaminais: Investigação avança em Portugal, mas custos obrigam a optar 26 Novembro
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Um cientista revelou hoje que existe investigação em células estaminais em Portugal, durante um debate em que se equacionou a justiça de tratar um doente com Parkinson pelo preço do tratamento de mil hipertensos.
O cientista Gonçalo Castelo-Branco anunciou que a investigação em células estaminais (do cordão umbilical) que se realiza em Portugal é essencialmente desenvolvida por cientistas que estão a trabalhar fora do país.
Em Janeiro será lançada a Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, que terá como coordenador o professor Rui Reis, da Universidade do Minho.
A informação foi avançada durante o debate sobre células estaminais que decorreu no âmbito do Seminário Nacional do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), o qual é dedicado ao tema “Da célula ao embrião”. Gonçalo Castelo-Branco, que criou em Portugal uma empresa de biotecnologia dedicada a criopreservação de células estaminais, defendeu uma maior investigação em células estaminais, uma área que é apontada como solução para algumas doenças, como Alzheimer, Parkinson ou diabetes. O investigador – que tem trabalhado com células estaminais na área do desenvolvimento e regeneração dos neurónios, na Suéca – salientou a grande característica destas células: a capacidade de diferenciar-se em todos os tipos de células presentes num organismo. “Esta característica é muito promissora para o tratamento de várias doenças” e daí o interesse nestas células que são isoladas ainda numa fase muito inicial do embrião (cinco dias).
O debate tem sido aceso em vários países e levou a Assembleia da República a solicitar ao CNECV a elaborar um parecer sobre células estaminais, o qual deverá estar concluído em Janeiro. A presidente do CNECV, Paula Martinho da Silva, mostrou-se esperançada em encontrar neste debate um contributo importante para a elaboração do parecer, mas as posições hoje conhecidas prevêem um divórcio de opiniões para os próximos tempos.
Gonçalo Castelo-Branco salientou o potencial que existe nas células estaminais e, por isso, apelou a uma maior investigação nesta área, mas outros especialistas lembraram que a questão do financiamento da investigação nesta matéria é muito mais importante do que possa parecer. “Quem irá beneficiar das células estaminais, se for provada a sua eficácia: os doentes ricos dos Estados Unidos ou os pobres africanos e asiáticos?”, questionou o professor de bioética Walter Osswald. Os elevados custos da investigação em células estaminais foi levantada por vários participantes neste seminário do CNECV, com Walter Osswald a chamar a atenção para a diferente forma como a Sida tem sido tratada no mundo. O especialista em bioética afirmou que “isto vai ser muito caro e poucos poderão pagar, pelo que só beneficiarão algumas minorias”.
Perante este cenário, Walter Osswald lançou a dúvida: “Vamos gastar mais dinheiro com estas técnicas de ponta e menos com os bronquíticos e hipertensos? Vamos tratar um doente com Parkinson ou mil que sofrem com a diabetes?”. A veracidade dos resultados sobre a investigação em células estaminais também foi colocada em causa por alguns intervenientes no debate que se seguiu à intervenção dos palestrantes. A este propósito, o investigador recordou que, precisamente por falta de investimento, a maior parte da investigação é feita por laboratórios privados que são também responsáveis pela publicação dos resultados.
Gonçalo Castelo-Branco preconiza – para o desenvolvimento terapêutico de células estaminais – “uma coordenação entre a academia e as empresas de biotecnologia”. Num debate dedicado às células e embriões, a clonagem foi igualmente abordada, com Walter Osswald a manifestar uma firme oposição a qualquer tipo de clonagem (reprodutiva ou terapêutica). Para o professor universitário, “toda a clonagem é reprodutiva”.
Mas o principal motivo que está na base desta oposição do especialista em bioética é o facto da clonagem terapêutica necessitar de um elevado número de ovócitos, o que seria “um convite à venda de gâmetas [conjunto de células que constitui o ovo]“, naturalmente clandestina.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6549321)


