Jardim Botânico Dá Os Parabéns a Brotero Expondo Herbário com Dois Séculos 25 Novembro

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O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa faz hoje uma homenagem ao botânico Félix de Avelar Brotero, expondo exemplares de herbário colhidos pelo botânico no século XVIII. Esta é a forma que a instituição encontrou de celebrar o nascimento de Brotero, que faz precisamente hoje anos, e de comemorar os 200 anos da publicação da sua obra mais conhecida: “Flora Lusitânica”, o primeiro inventário da flora nacional, editada em 1804.


A razão que levou o diácono e botânico Felix de Avelar Brotero a fazer o primeiro levantamento sistematizado da flora nacional não foi propriamente das mais nobres. Hoffmansegg e Link, dois botânicos alemães de renome na época, tinham pedido autorização à Coroa portuguesa para fazerem o primeiro inventário da nacional. Os ministros de Estado decidiram então pedir a Brotero, que até tinha fugido para Paris, a braços com a Inquisição, para o fazer antes que dois estrangeiros, para grande vergonha nacional, o fizessem. O episódio pode ler-se numa das biografias de Brotero.



A investigadora Ana Isabel Correia, que é a botânica responsável pelo herbário do jardim, explica que os exemplares que hoje o Jardim Botânico de Lisboa mostra não são os que serviram de apoio a Brotero para fazer a “Flora Lusitânica”: “O herbário que serviu de base à ‘Flora Lusitânica’ foi destruído por incúria em Coimbra”, onde Brotero foi lente de botânica antes de vir para Lisboa, em 1815, para dirigir o Jardim Botânico da Ajuda.


Mas a colecção de mais de 300 exemplares coligidos por Brotero que está no Jardim Botânico de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica, é digna de se apreciar. Ana Isabel Correia abre com cuidado e uma a uma, em cima da mesa de ardósia da fria sala do herbário, as pastas de papel que encerram os 25 exemplares escolhidos que hoje vão estar em exibição, para quem os quiser ver. Cada um tem anotado o nome, pela mão do próprio Brotero, numa letra desenhada e por vezes desaparecida pelo apetite voraz dos “Stegobium”, uns bichinhos que gostam de comer antiguidades destas.


Um narciso branco do Inverno, uma folha de castanheiro-da-Índia, uma rosa, e uma leguminosa da Serra de Sintra, chamada “Ononis cintrana”, classificada pela primeira vez por Brotero, estão entre as espécies seleccionadas a muito custo. “São todas bonitas, Tentámos escolher entre dois a três exemplares de cada uma das 12 classes consideradas por Brotero”, explica a investigadora, sobre o sistema simplificado traçado pelo botânico do século XVIII, baseado no complexo e universal sistema de classificação do sueco Lineu: “Brotero adaptou o sistema de Lineu para Portugal. Tem menos classes. Mais tarde, a colecção foi de novo reorganizada, segundo um sistema mais próximo do de Lineu.”


A ideia de celebrar o aniversário de Brotero com esta iniciativa, no âmbito da Semana da Ciência, que termina no fim-de-semana, partiu de uma voluntário do jardim, Teresa Antunes, que reparou que não só o 25 de Novembro era o dia do nascimento de Brotero, como a publicação da primeira edição da sua obra-prima, a “Flora Lusitânica”, tinha acontecido em 1804, cumprem-se agora dois séculos.


O Jardim Botânico tem também hoje exposto aos olhos dos visitantes a primeira edição dessa obra. Dois volumes de um livrinho pequenino, sem ilustrações e escrito em latim, que ainda hoje é consultada por investigadores, apesar de muito desactualizada: “De pouco servem hoje aos botânicos estes livros. Com o advento da microscopia, hoje há um conhecimento muito mais aprofundado da morfologia, da anatomia e do funcionamento dos órgãos das espécies”, explica Ana Isabel Correia.


A última vez que os feitos de Félix de Avelar Brotero foram celebrados foi em 1944, cumpriam-se então 200 anos do nascimento deste botânico e 140 anos da publicação da “Flora Lusitânica.” Nessa altura, foi lançada uma colecção de selos alusivos ao botânico e à sua obra. E foi também nessa altura que pela última vez foi exposto o herbário de espécies portuguesas e internacionais, recolhidas por Brotero durante a direcção do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa.  Hoje, pelas 14h30 e passados 60 anos, volta a haver uma oportunidade única de espreitar esses exemplares, antes que voltem para os armários escuros e frios da colecção do Jardim Botânico de Lisboa – de onde nunca se sabe quando voltarão a sair para enfrentar a luz do dia.


FONTE: Público

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