Escavações arqueológicas encontram mais de 400 corpos em necrópole 25 Novembro
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Os arqueólogos que acompanham as obras no Largo Cândido dos Reis, em Santarém, desenterraram já cerca de 400 corpos, muitos correspondentes a enterramentos islâmicos disse hoje o arqueólogo que coordena as escavações, António Matias. António Matias disse à Lusa que a zona que está a ser escavada, junto ao antigo hospital da cidade, parece corresponder a “um interface entre a necrópole islâmica e uma cristã”, que podem ter sido contemporâneas.
O material que tem vindo a ser recolhido vai dar origem pelo menos a uma tese de mestrado (sobre a parte islâmica), mas o potencial de investigação aberto pela descoberta é, segundo António Matias, enorme, já que o estudo dos ossos encontrados “irá dar informação importante sobre a vida” no século X.
“É como sentar à mesa de um café com um esqueleto que nos vai dar informação importante sobre a vida na sua época, quem foram, o que comiam, que doenças tinham, quantos filhos tinham, qual a sua longevidade, se havia muitas diferenças entre o Mundo islâmico e o nosso”, referiu o arqueólogo. No seu entender, é possível aceder a essa informação estudando a morfologia dos corpos – mais de metade dos quais referentes a enterramentos islâmicos – e depois recorrendo à genética e à química.
Quando acabar o trabalho de escavação, recolha, identificação, classificação, António Matias gostaria de se lançar num trabalho que considera “curiosíssimo”, que é o de saber que tipo de afinidades genéticas existem entre os muçulmanos que habitaram Santarém e os actuais escalabitanos. “É preciso fazer um mapa genético islâmico e outro da população actual natural de Santarém. Será que cola? Até que ponto devemos a nossa identidade genética aos muçulmanos, sabendo que desde a cultura à agricultura devemos muito?”, interrogou-se.
Segundo António Matias, a necrópole islâmica de Santarém, já com 240 enterramentos devidamente identificados, é “seguramente a maior do país”, lembrando que no século X um autor árabe se referia a Santarém como tendo 3.500 habitantes. A área envolvida, nem toda escavada, ronda os 15.000 metros quadrados, tendo também sido encontrados outro tipo de materiais, como cerâmica e moedas dos séculos XV, XVI e XVII.
Uma das peças encontradas esta semana foi um pedaço de porcelana chinesa, aparentemente da dinastia Ming, das primeiras peças orientais a entrar no país, situação que terá de ser confirmada por especialistas, disse. António Matias disse à Lusa ser intenção da autarquia musealizar algumas zonas de sepulturas, estando a ser estudada a melhor maneira para proteger os materiais.
Em relação às quatro necrópoles descobertas na Ribeira de Santarém, por uma outra equipa de arqueólogos, também durante a realização de obras de saneamento, a Câmara Municipal de Santarém vai assinar um protocolo com o Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra para estudo osteológico humano exumado. Nessa zona foram encontrados espólios que apontam para várias épocas e diferentes povos, fenícios, romanos, islâmicos e cristãos.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6546929)


