Da célula ao embrião: Dois dias de discussão sobre tema condenado à polémica 25 Novembro

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O desenvolvimento “da célula ao embrião” é o tema do seminário que o Conselho de Ética promove sexta- feira e do qual espera um contributo para elaborar o parecer sobre investigação em células estaminais, que deverá estar concluído em Janeiro.

A presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), Paula Martinho da Silva, disse à Agência Lusa que o seminário “Ciência e Ética: da célula ao embrião”, que decorre sexta- feira e sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, será uma oportunidade para ouvir especialistas sobre uma matéria que está em constante discussão. Exemplo disso é o parecer sobre investigação em células estaminais (com capacidade para se transformarem em qualquer órgão ou tecido) que o CNECV está a elaborar.



Ainda em fase de discussão, o parecer deverá estar pronto em Janeiro do próximo ano e sem que já exista um estatuto do embrião – as células estaminais resultam dos embriões excedentários provenientes de tratamentos de infertilidade -, apesar do governo ter tentado, no ano passado, chegar a um consenso. Para tentar definir o que é um embrião foi elaborado um livro branco, o qual incluiu uma série de propostas para o seu estatuto, coligidas pelo presidente do Grupo de Trabalho para a Protecção do Embrião no Conselho da Europa, Daniel Serrão. O documento reuniu opiniões de especialistas mas não foi profícuo ao ponto de atingir uma definição.


Paula Martinho da Silva considera que é possível o CNECV pronunciar-se sobre a investigação em células estaminais embrionárias sem o embrião ter um estatuto definido. “Mesmo sem um estatuto, o embrião pode ser protegido e, em relação à necessidade dessa protecção, há consenso”, adiantou. O seminário do CNECV vai debater os problemas da transformação de uma célula num embrião e analisar que tratamento científico, ético e jurídico pode ser dado ao embrião humano. O investigador de biologia celular e imunologia António Coutinho falará da célula enquanto “património da vida”.


Do seminário constarão intervenções sobre a célula estaminal, sobre o embrião humano, o seu uso na Procriação Medicamente Assistida e na bio-indústria, com a participação de reconhecidos especialistas nacionais e estrangeiros. Para uma reflexão sobre o difícil diálogo entre a ciência e a ética, intervirá o director da unidade de financiamento da investigação científica da União Europeia e antigo presidente do Comité Director de Bioética do Conselho da Europa, Octavi Quintana- Trias e Luís Archer, geneticista e ex-presidente do CNECV.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6546108)

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