Directora da Ciência Viva Lamentou no Parlamento a politização do programa de divulgação cient 24 Novembro
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Os deputados da Comissão Parlamentar de Ciência, Educação e Cultura ouviram ontem os problemas da Agência Ciência Viva, através da sua directora, Rosália Vargas, que foi ao Parlamento apresentar a Semana da Ciência e da Tecnologia, com actividades em todo o país até domingo. Augusto Santos Silva (PS) aproveitou para fazer várias perguntas e, quando Rosália Vargas lhe respondeu, começou por lamentar ter-se “politizado” tanto a Ciência Viva.
Entre as perguntas, Santos Silva quis saber: “O concurso para projectos de educação científica nas escolas para este ano não existe, porque a Ciência Viva não o propôs e, se propôs, qual foi a resposta?” Referia-se aos milhares de projectos nas escolas, uma da actividades coordenadas pela Ciência Viva, mas cujo concurso para financiamento, através do Programa Operacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (POCTI), não abre desde 2001. Sobre estes projectos que põem os alunos de todos os níveis de ensino a fazer experiências, Rosália Vargas respondeu-lhe: “Apresentámos a candidatura para fazer o sexto concurso nas escolas. Não tivemos resposta, aguardamos até hoje.”
Dirigindo-se aos cerca de 12 deputados que ali estavam, Rosália Vargas solicitou então: “Se pudessem ajudar a Ciência Viva a continuar esse trabalho…” Santos Silva quis também saber de onde vinha o dinheiro para esta semana de divulgação da ciência. Rosália Vargas respondeu-lhe que vêm da fonte de todas as verbas para as actividades da Ciência Viva: do Orçamento do Estado – para pagar os salários aos funcionários do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, um museu com uma média de 800 visitantes por dia – e do POCTI, para as várias iniciativas, como os concursos nas escolas, a rede de centros para divulgação da ciência espalhadas pelo país e as grandes campanhas de divulgação nas férias, como a Astronomia no Verão.
“Sabemos que de 2002 para 2003, a Ciência Viva teve um corte brutal do orçamento do Ministério da Ciência. Analisando o orçamento de 2005, a referência ao Ciência Viva desapareceu, embora não desaparecesse a referência a programas de divulgação científica”, disse Santos Silva. “Quais são as perspectivas orçamentais para 2005?” Também a isto Rosália Vargas deu resposta: “É a primeira vez que não tenho indicação orçamental para a Ciência Viva.” Fazendo quase todas despesas da conversa, o deputado socialista trouxe à baila argumentos usados pelos governos sociais-democratas, segundo os quais a Ciência Viva tinha uma posição de “monopólio” e de “promiscuidade” na gestão dos fundos do POCTI para a divulgação científica, uma vez que era beneficiária final dessas verbas e entregava-as também a outras entidades.
A Ciência Viva começou como programa governamental, criado no tempo em que Mariano Gago era ministro da Ciência, nos governos socialistas, mas em 1998 tornou-se numa associação. “Tenho pena que se tenha politizado tanto a Ciência Viva”, declarou Rosália Vargas, referindo-se à luta política que tem existido pelo controlo dos programas de promoção da cultura científica. “Mas esta é uma estrutura independente. Tornou-se não governamental.” Em relação ao monopólio, Rosália Vargas, que estava acompanhada por João Sentieiro, porta-voz do Conselho dos Laboratórios Associados, entre os quais há associados da Ciência Viva, explicou que há um contrato com o gabinete do POCTI para a Ciência Viva funcionar como entidade intermédia na gestão dos fundos e como beneficiária final, para as acções organizadas directamente pala agência. “Mas a Ciência Viva não é a gestora dos fundos, nunca foi. A gestão do POCTI está com o respectivo gestor.”
Mas depois de o Governo considerar que a Ciência Viva detinha o monopólio, houve mudanças: a Fundação para a Ciência e a Tecnologia passou a ser outra entidade intermédia na gestão das acções de divulgação científica. Massano Cardoso (PSD) optou por deixar um comentário sobre os governantes que não apoiem a divulgação da ciência: “Não são governantes mas mentecaptos.”
FONTE: Público


