Cientistas Portugueses Identificam Gene Que Determina Formação de Artérias e Veias 23 Novembro

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Duas equipas de investigadores portugueses, em colaboração com um grupo da Universidade de Toronto, no Canadá, descobriram que o gene Delta 4 determina a identidade vascular no embrião, ou seja, determina se os vasos sanguíneos se vão tornar veias ou artérias. Num artigo publicado na revista americana “Genes & Development”, os cientistas explicam que, quando o gene Delta 4 está activado nos vasos sanguíneos, estes tornam-se artérias; caso contrário, tornam-se veias. O objectivo mais alargado é desenvolver novas abordagens terapêuticas cardiovasculares ou até para algumas formas de cancro.



Até há três anos, pensava-se que era a pressão sanguínea a que os vasos estavam sujeitos que determinava o seu destino. Mas, depois, os cientistas descobriram um marcador molecular chamado Efrina B2, uma proteína que intervem na definição do destino dos vasos. “Agora descobrimos o papel determinante do gene Delta 4 na identidade vascular”, sublinha António José Duarte, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa.


A proteína cuja produção é comandada pelo gene Delta 4 – e que tem a mesma designação – encontra-se à superfície das células e comunica com outras proteínas, chamadas receptores Notch, que se encontram à superfície das células adjacentes. Isto desencadeia um processo denominado cascata de sinalização, que leva à activação de uma série de outros genes que intervêm na formação de células arteriais.  Com isto em mente, os cientistas criaram ratinhos em que o gene Delta 4 estava em falta. “Verificámos que, na ausência deste gene, os ratinhos morriam a meio da gestação, porque não conseguiam formar artérias”, explica António Duarte. “Constatámos que todos os vasos sanguíneos em desenvolvimento eram veias.”


Num outro estudo, ainda não publicado, os cientistas testaram o inverso, ou seja, produziram ratinhos com cópias suplementares do gene Delta 4. Nestes, apenas formaram artérias. “Havia a expressão de marcadores arteriais em todos os vasos destes embriões.”  O próximo passo da equipa da Faculdade de Veterinária, em conjunto com o Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, será identificar outros genes dessa cascata de sinalização que possam servir como alvos terapêuticos. O objectivo é desenvolver drogas que actuem sobre na angiogénese – o mecanismo de formação de novos sanguíneos, que é utilizado pelos tumores sólidos para se abastecerem de oxigénio e outros nutrientes, e assim crescerem.


Os cientistas vão analisar detalhadamente o perfil de actividade genética dos dois tipos de ratinhos geneticamente manipulados, para terem cópias a mais ou a menos do gene Delta 4. “Depois vamos procurar determinar novos genes na cascata da diferenciação arterial e delinear estratégias terapêuticas”, explicou António Duarte.


Nos casos das doenças isquémicas, como insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral, o objectivo será encontrar agentes que favoreçam a formação de artérias. O objectivo seria desenvolver drogas capazes de estimular a formação de novas artérias, para substituir as que foram danificadas, e assim restabelecer a irrigação sanguínea do coração ou do cérebro.


No que toca aos tumores, a abordagem será a inversa: os cientistas vão procurar moléculas que impeçam a formação de novas artérias que alimentem o cancro e lhe permitam espalhar-se pelo organismo, formando metástases. “Daqui a cinco anos, espero que já estejamos a fazer experiências com drogas em animais”, conclui o investigador.


FONTE: Público

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