Portugal Terá de Reflectir na Opção da Energia Nuclear 18 Novembro

Comments Off

O secretário de Estado da Ciência e Inovação, Pedro Sampaio Nunes, disse ontem que Portugal terá de confrontar-se com a possibilidade de produzir energia nuclear. “A opção nuclear é uma questão que, mais cedo ou mais tarde, seremos obrigados a pôr em cima da mesa”, afirmou, na comemoração dos 50 anos da criação da Junta de Energia Nuclear, no Instituto Tecnológico e Nuclear, em Sacavém.


As declarações de Sampaio Nunes surgem depois de noticiado, em Outubro, que a energia nuclear foi considerada num relatório preliminar sobre a redução da dependência energética do país. Mas essa opção causou uma forte estupefacção e contestação dos membros do Governo, como o PÚBLICO noticiou na altura.



Em Agosto, na sequência da escalada dos preços do petróleo, o Conselho de Ministros mandatou o ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, a apresentar, dentro de dois meses, um relatório com medidas para diminuir a dependência do crude. O relatório deveria ser redigido com a colaboração de cinco ministérios, incluindo o da Ciência.


Sampaio Nunes fez parte desse grupo de trabalho, e o facto de ter levantado aí a opção nuclear não está desligado da sua experiência na Comissão Europeia, onde trabalhou 18 anos: entre outras coisas, na Direcção-Geral de Energia foi director para as energias convencionais, que vão do petróleo às renováveis, passando pela nuclear.


“Enquanto secretário de Estado da Ciência e Inovação, e tendo experiência na área da energia, era minha obrigação levantar esta opção, de forma desapaixonada”, contou. “Mas estou absolutamente solidário com o Governo, quando decidiu que não devia ser considerada a opção nuclear.”


Entre as razões para isso, Sampaio Nunes referiu as profundas divergências que causa. “Esta é uma questão fracturante da sociedade portuguesa, da esquerda à direita. Não é a altura para abrir essa ferida, que tem mais de 20 anos.” No próprio grupo de trabalho havia opiniões diferentes.


A ferida a que se refere Sampaio Nunes foi a discussão pública, depois do 25 de Abril, para a instalação de uma central nuclear. Chegou a pensar-se construir uma em Ferrel, próximo de Peniche, mas a localização foi chumbada com base no risco sísmico e, nos anos 70, a opção pela energia nuclear esmoreceu.


Mas, para Sampaio Nunes, o debate sobre a introdução da energia nuclear em Portugal acabará por acontecer devido, por exemplo, à aplicação do Protocolo de Quioto. Os países que não cumprirem as metas do acordo – que obrigam a limitar as emissões de gases que alteram o clima, resultantes por exemplo da queima de combustíveis fósseis como petróleo – podem vir a ser penalizados. Portugal só pode aumentar as emissões desses gases em 27 por cento até 2012 face aos níveis de 1990. Mas em 2002, o aumento já ia em 40,5 por cento.


Os países que não cumprirem as metas vão ter de comprar o direito a poluir, o que, para um país como Portugal, aumenta ainda mais a factura energética. “Uma das razões por que muitas economias ocidentais escaparam aos choques petrolíferos foi pelo forte empenhamento no nuclear”, sublinhou Sampaio Nunes.


FONTE: Público

Os comentarios estão fechados.

Artigos relacionados

    Investigar em RSS