Instituto Tecnológico Nuclear apela ao Governo, situação é de ruptura 17 Novembro

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O presidente do Conselho Directivo do Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN) apelou hoje ao Governo para que tome medidas urgentes para resolver as dificuldades daquele Laboratório de Estado, com “meios humanos e materiais cada vez mais reduzidos”.

Na comemoração dos 50 anos da Junta de Energia Nuclear, actual ITN, os responsáveis descreveram ao secretário de Estado da Ciência e Inovação, presente na sessão, o “ponto de ruptura” que se vive num instituto com “competências únicas no país pela sua especificidade” e que podem ter aplicações no ambiente, saúde ou segurança.



“O orçamento de funcionamento da instituição tem vindo gradualmente a ser reduzido. O ITN é obrigado a procurar fontes alternativas de financiamento que possibilitem a sua sobrevivência”, sustentou o presidente do Conselho Directivo, Júlio Montalvão da Silva, acrescentando que essa pressão pode ser fatal. “No plano dos recursos humanos, a recusa em permitir a contratação de pessoal com estabilidade de emprego é impeditiva de que as unidades constituam ou sequer mantenham ou renovem as equipas de base”, continuou, considerando ainda que a “recusa na autorização de substituição do pessoal que se aposenta ou que abandona a actividade pode conduzir a uma situação dramática”. Só este ano o ITN, tutelado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior, perdeu seis investigadores, disse, referindo-se à desmotivação do corpo de investigação, “impedido de prosseguir a carreira por proibição de realização de concursos externos”.


Ao apelo, o secretário de Estado Pedro Sampaio Nunes respondeu com algumas medidas, mas frisou querer ir contra “a atmosfera de lamúria e de choro permanente num país que recebe dois milhões de contos por dia”, sem ser capaz de gerar riqueza. “Temos de nos interrogar porque é que estamos nesta situação”, disse, defendendo que “há um ciclo vicioso que é o de recorrer aos meios mais fáceis para o financiamento”, nomeadamente o Orçamento Geral do Estado e os fundos comunitários.


“A grande ruptura é poder olhar para os fundos e arranjar parcerias com a indústria que permitam alavancar o tecido científico e também empresarial”, estimou. Pedro Sampaio Nunes anunciou ainda a constituição de um grupo de trabalho que vai identificar as condições “que estão a servir de barreiras ao bom desempenho dos Laboratórios de Estado” e avançou que foi autorizada a abertura de um concurso para a contratação de investigadores principais. O secretário de Estado apoiou também a ideia de criar “um pólo ou um centro de excelência, com massa crítica no âmbito desta tecnologia” no campus do ITN, apresentada anteriormente.


Para Sampaio Nunes é ainda necessário rentabilizar o reactor nuclear existente no ITN, através de consórcios europeus que permitam ter acesso a “fundos que existem e não são utilizados”. Manifestando confiança no futuro do instituto, o secretário de Estado reiterou a ideia de que “não é necessário mais financiamento público” em investigação, que é semelhante à média europeia. “Onde falhamos é no esforço do sector privado”, insistiu.


A questão das parcerias com o sector empresarial foi também levantada pelo vice-presidente do Conselho Directivo, Manuel Almeida, que considerou existir aí “espaço para expansão”. “O ITN é um parceiro estratégico incontornável para projectos em áreas decisivas para o futuro desenvolvimento científico e económico nacional, como as de novos materiais, saúde e ambiente”, disse, frisando, no entanto, que o trabalho desenvolvido tem sido conseguido pela dedicação dos trabalhadores, e que “há limites”.


O ITN, localizado em Sacavém, é um Laboratório de Estado dotado de autonomia científica, administrativa e financeira, que tem como atribuições, entre outras, efectuar e promover a investigação e o desenvolvimento em ciências e técnicas nucleares, protecção e segurança radiológica e formação.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6523597)

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