Governo Vai Abrir Concurso para Projectos nas Escolas 16 Novembro

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Fazer de cada aluno, do jardim-de-infância até ao fim do secundário, um pequeno cientista é um dos grandes objectivos da Agência Ciência Viva. Talvez esses miúdos venham a ser cientistas ou, pelo menos, cidadãos mais cultos. Para tal, a Ciência Viva abria um concurso anual, em que as escolas concorriam com milhares de projectos, para se aprender ciência fazendo experiências. Desde 2001 que não há esse concurso por falta de dinheiro, uma situação que o secretário de Estado da Ciência, Sampaio Nunes, quer mudar em breve, depois de se acordar este mês com a Comissão Europeia a redistribuição de mil milhões de euros por vários programas.



Sampaio Nunes refere-se aos badalados mil milhões de euros que a ministra da Ciência, Graça Carvalho, anunciou em Janeiro que Portugal ia receber para a ciência, em sentido lato. Esse dinheiro não é novo: resulta da redistribuição de fundos já acordados no âmbito do III Quadro Comunitário de Apoio ou QCA, de 2000 a 2006. O que houve foi uma avaliação do impacte dos programas do III QCA e depois fez-se uma reformulação, que resultou na atribuição de mais fundos aos programas com boa taxa de execução. É o caso do Programa Operacional para a Ciência, Tecnologia e Inovação (POCTI).


O acordo para o envio desses fundos será estabelecido por estes dias com a Comissão Europeia e só depois é que os mil milhões de euros estarão disponíveis. Em Dezembro, vão ser anunciadas as linhas mestras do novo POCTI (cerca de 500 milhões de euros até 2006), que financiará também a divulgação científica. Ramôa Ribeiro, presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, diz estarem previstos 30 milhões de euros do novo POCTI para a divulgação.  Assim, Sampaio Nunes garante que o concurso para o ensino experimental das ciências abrirá em breve: “Quando sair o novo POCTI, vamos entrar na normalidade.”


A originalidade da Ciência Viva está nos projectos de educação científica: as propostas partem das escolas, em vez de serem impostas de cima, e há a forte participação de cientistas. Quando o programa foi criado em 1996, não havia nada assim na Europa.  Os alunos ora foram para o campo observar aves, ora desenvolveram gruas e escavadoras, ora analisaram matematicamente a simetria dos lenços de namorados das minhotas, entre tantos exemplos (em 2001 foram financiados 800 projectos, no valor de 5,3 milhões de euros).  De tal forma o Ciência Viva é inédito que alguns países discutem a adopção de um programa idêntico, conta Ana Noronha, um dos elementos da equipa. A Academia das Ciências da Noruega organizou, em 2002, um seminário com o título: “Ciência Viva: uma inspiração para a Noruega?”


Em França, num relatório elaborado por Réal Jantzen, conselheiro do museu La Villette, em Paris, recomendou a criação de uma estrutura independente do Governo com actuação nacional. Ou seja, uma estrutura parecida com a Ciência Viva, uma organização não governamental. A Ciência Viva começou como programa governamental, mas em 1998 transformou-se numa associação, hoje com 11 associados. Assim, ficou blindada contra pressões políticas exteriores, pois só os associados podem extingui-la.


FONTE: Público

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