Cientistas Discutem Criação de Redes de Investigação 22 Outubro

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Há redes de cooperação científica em Portugal? Quais são e o que fazem? Partindo destas interrogações, o Conselho dos Laboratórios Associados (CLA) – um grupo de 15 instituições de referência equiparadas aos laboratórios do Estado – fez um levantamento sobre redes temáticas de cooperação, que culmina hoje e amanhã no I Encontro Nacional de Ciência e Tecnologia, na Universidade de Aveiro.


“Existem redes de cooperação na Europa, mas em Portugal não sabíamos se existiam. Achámos importante fazer um levantamento”, conta João Sentieiro, porta-voz do CLA e director do Instituto de Sistemas e Robótica do Instituto Superior Técnico, em Lisboa.



O CLA lançou a iniciativa há uns meses, enviando E-mails para os cientistas, e recebeu cerca de 90 propostas de redes, umas já existentes e que querem captar novos parceiros, outras em planeamento. “Foi surpreendente já haver tanta coisa em Portugal e haver tanta vontade de pôr outras a funcionar”, diz Sentieiro.


Exemplos de redes: Tecnologias para a Exploração dos Oceanos; Interacção Genético-Ambiental na Carcinogénese Gástrica; Rede Nacional de Malária; Novos Saberes Básicos de Todos os Cidadãos do Século XXI e Novos Desafios à Formação de Professores; Rede de Ressonância Magnética Nuclear; Materiais para a Sociedade do Hidrogénio; ou Comportamento Eleitoral do Portugueses.


As redes centram-se em sete áreas: ciências do ambiente e oceanos; ciências biomédicas; tecnologias da informação e comunicação; física, química e materiais; inovação, sistemas de produção e energia; ciências sociais; cultura científica e ensino da ciência. É nestas áreas que incidirão as 100 comunicações do encontro, que reúne mais de 300 participantes.


Cientistas conceituados vão presidir à apresentação das propostas. Por exemplo, Manuel Sobrinho Simões, director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, ou Arsélio Pato de Carvalho, director do Instituto de Neurociências de Coimbra, presidirão à sessão de ciências biomédicas. Mário Ruivo, vice-presidente da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, e João Coimbra, director do Centro de Investigação Marinha e Ambiental, presidirão à sessão sobre ciências do ambiente e oceanos. Ou Alexandre Quintanilha, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, que presidirá à da cultura científica e ensino da ciência.


A síntese final do encontro – que Sentieiro considera uma sessão de trabalho para pôr em contacto eventuais parceiros e trocar críticas sobre as redes propostas – será feita por José Mariano Gago, ex-ministro da Ciência.


Mas falar de redes científicas é falar do quê? De estruturas que aproximem os cientistas, e não só, para fazer diversas coisas, porque é da troca de ideias que podem surgir soluções: investigar um problema concreto, como o cancro do estômago, ou fazer formação avançada, em que se concebe um mestrado ou são organizados “workshops”. Ou promover a cultura científica nas escolas secundárias, permitindo aos professores de ciências fazer estágios em instituições científicas.


“Um dos objectivos da conferência é elaborar um Livro Branco com propostas de medidas legislativas, que permitam que as redes tenham apoio financeiro que necessitam”, remata Sentieiro.


FONTE: Público

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