Laboratório de Oeiras Participa em Projecto Europeu de Nanomedicina 20 Outubro

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Um laboratório português integra um consórcio europeu na área da nanobiotecnologia, de que fazem parte 27 grupos de investigação e largas centenas de cientistas. No Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET), em Oeiras, a equipa participante tem nas mãos a tarefa de criar células numa espécie de nanoberçários, para que um dia essas células possam ser usadas com fins terapêuticos.


Chama-se Cellprom o projecto de que faz parte o o IBET e aposta na área da nanobiotecnologia. Esta área, uma das mais relevantes do VI Programa-Quadro da União Europeia, consiste em construir dispositivos à nano-escala – algo mil milhões de vezes mais pequeno do que um milímetro.



Rita Malpique, de 24 anos, engenheira biológica e estudante de doutoramento, tenta criar as suas células como uma mãe extremosa, numa espécie de berçário limpo e altamente estudado para que se desenvolvam como planeado. “Não está nada feito em manipulação de células estaminais em meios limpos – os meios de cultura que normalmente são usados têm aditivos de origem animal, soros e factores de crescimento para a promoção da divisão celular, que aqui pretendemos evitar”, explica Rita Malpique.


A especialidade desta equipa do IBET, dentro do consórcio Cellprom, é mesmo a manipulação e preservação das células. “Tentamos a melhor maneira de criar as células e depois retirá-las do meio, sem que percam características, para as podermos um dia transportar para os pacientes”, acrescenta Rita Malpique.


Agora ainda só trabalha com células-modelo, neste caso células do epitélio intestinal, muito usadas em fases primárias de investigação. Mas mais tarde serão as famosas células estaminais o objecto do seu trabalho.


Estas células são interessantes para fins terapêuticos porque são pluripotentes: podem diferenciar-se ou especializar-se em vários tipos de célula. Por exemplo, as células estaminais da medula óssea dão origem a todos os tipos de células sanguíneas.


Os berçários, vamos chamar-lhes assim, onde são manipuladas estas células são eles invisíveis à vista desarmada. Estamos a falar de nanoestruturas, polímeros criados por equipas alemãs do consórcio, para que as células aí cresçam e proliferem do modo pretendido. A rugosidade, a textura da superfície, tudo é estudado de modo a cumprir as necessidades das células que aí se pretendem criar tendo em conta a aplicação em terapias. “Até hoje este trabalho de manipulação das células era feito em meios líquidos. Agora queremos manipular as células nestas nanoestruturas, cobertas com as moléculas que escolhemos para controlar o processo”, explica Paula Alves, uma das coordenadoras da equipa do IBET, especialista em células neuronais, que não esconde o entusiasmo pelo que estas técnicas de manipulação celular têm para dar na sua área específica.


“O grande objectivo é construir um ambiente onde se faça a diferenciação celular de forma controlada, como se se tratasse de ambiente hospitalar. Uma espécie de máquina que nos dê as células que queremos, de acordo com a terapia que se pretende”, diz Paula Alves. Só a esta nanoescala da medicina se pode alcançar, por exemplo, as auto-estradas de comunicação dentro de uma célula. Dimensão que, até há pouco tempo, só a ficção científica sonhava alcançar, mas que já estão à mão da ciência real.


No futuro, o objectivo é usar estas culturas de células no corpo humano, com fins terapêuticos, em medicina regenerativa. Para atingir esse objectivo Paula Alves aponta a segurança biológica como um alvo prioritário: “As autoridades exigem muita segurança de que estas terapias não têm contaminantes”


A investigadora realça, contudo, que ainda se está a trabalhar ao nível do protótipo. E quando se puder começar a falar em aplicações médicas, há áreas que se impõem como prioritárias, uma vez que há mais investigação feita e mais conhecimento de causa: “A medicina regenerativa dos ossos já está muito bem fundamentada. Sabe-se hoje muito bem como diferenciar osteoblastos. Decerto que estas áreas mais conhecidas serão as primeiras.”


FONTE: Público

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