Chefes de Estado reúnem-se para 50º aniversário de laboratório europeu 19 Outubro
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Os chefes de estado da França, Espanha e Suíça participam hoje, na fronteira suíço-francesa, nas cerimónias do 50º aniversário da Organização Europeia para Investigação Nuclear (CERN), o maior laboratório de física de partículas do mundo.
O rei Juan Carlos deverá ser acolhido pelos dois anfitriões conjuntos das cerimónias oficiais, os presidentes francês, Jacques Chirac, e suíço, Joseph Deiss, antes de visitar as instalações de um centro de investigação que é considerado dos mais avançados do planeta. Na cerimónia estará presente o secretário de Estado da Ciência e Inovação português, Pedro Sampaio Nunes.
Os eventos decorrem no centro principal da CERN, um túnel circular de 27 quilómetros, na fronteira entre a Suíça e a França, próximo de Genebra, onde está instalada um gigante “destruir de átomos”. Representando 20 nações europeias, entre as quais Portugal, o CERN tem vindo progressivamente a tornar-se num símbolo de cooperação multinacional de investigação no campo da física nuclear. Mais de sete mil cientistas de 85 países estão actualmente envolvidos em centenas de experiências, entre as quais um projecto que pretende recriar os segundos imediatamente antes do “big bang”, a criação do universo.
Para o director do CERN, Robert Aymar, a identidade internacional das equipas que ali trabalham, trás um impacto “social, cultural e económico” acrescido, garantindo que a “ciência continua a ser uma língua universal”. “O CERN é um local onde a ciência é o único objectivo”, explicou. A importância do centro foi já reconhecida com cinco prémios Nobel, devendo o seu trabalho consolidar-se ainda mais com a entrada em funcionamento, a partir de 2007, do novo acelerador de partículas, capaz de as produzir quase à velocidade da luz.
“Já conseguimos resultados muito, muito positivos no campo da física das partículas. Agora temos muitas teorias e esta será a máquina capaz de as testar”, explicou Aymar. O novo acelerador de partículas (LHC) substitui um antigo sistema, o LEP, que foi, até à construção do Túnel da Mancha, o maior projecto de engenharia civil da Europa. Os cientistas esperam que colisões de partículas recriadas no LHC produzam temperaturas superiores às que ocorrem no centro do sol, analisando assim a massa das próprias partículas.
Mais de 1.500 computadores em Genebra e milhares de outros em todo o mundo estarão depois ligados numa rede de altíssima velocidade, para analisar os resultados. Para o público em geral, no entanto, o maior avanço do CERN foi a invenção da World Wide Web, em 1990, que numa primeira fase permitiu aos cientistas trocar dados e que, progressivamente, se transformou na complexa e essencial Internet.
Outros avanços saídos do CERN incluem aparelhos de “scan” usados para a detecção de cancro nos hospitais. Além dos avanços científicos, o CERN acabou igualmente por servir para aproximar povos, sendo, por exemplo, o único local onde cientistas norte-americanos e russos trabalharam juntos durante a Guerra Fria. Hoje as equipas incluem cientistas árabes e israelitas, e especialistas indianos e paquistaneses.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6443344)


