Portugueses descobrem gene essencial na disposição correcta dos órgãos 13 Outubro

Comments Off

Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) descobriram um gene essencial na disposição correcta dos órgãos no corpo, como a localização do coração sempre do lado esquerdo e do fígado sempre do lado direito, por exemplo.

O trabalho, que contribui para explicar uma das questões fundamentais da Biologia do Desenvolvimento, foi publicado na edição de Outubro da revista científica norte-americana Genes and Development.



A equipa portuguesa, coordenada por José António Belo, professor associado na Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais da Universidade do Algarve, descreveu pela primeira vez o papel do gene Cerl-2 na disposição assimétrica (com diferenças entre o lado direito e o esquerdo) dos órgãos no embrião.Para isso, foram criados em laboratório “ratinhos geneticamente modificados, em que este gene foi inactivado”, explicou José António Belo à Agência Lusa.


Quando nasceram, os animais apresentavam várias alterações morfológicas, como pulmões com dois lóbulos idênticos, inversão esquerda-direita do coração e pulmões e de alguns órgãos abdominais, como estômago, duodeno e rins. Os cientistas do IGC constataram que o gene Cerl-2, “tem um papel funcional ao inibir um outro gene, o Nodal”, activado apenas no lado esquerdo do embrião e que dá origem a “uma cascata de genes que são selectivamente activados desse lado”, explicou António Belo.


“Trabalhos anteriores tinham demonstrado que o embrião tem competência para activar o gene Nodal, que apenas é activado no lado esquerdo, também no lado direito. Faltava perceber o que impede essa activação”, continuou. “O gene que identificámos, o Cerl-2, expresso do lado direito, é o responsável por inibir a actividade do Nodal, que está na base dessa cadeia de reacções”, explicou à Lusa.


Na ausência do Cerl-2, o Nodal passa a ser activado também no lado direito, ou até apenas neste. Consequentemente, a cadeia de reacções desencadeada pelo Nodal passa a ser activada em ambos os lados do embrião, que deixa de ter a expressão assimétrica de determinados genes. É como se ficasse “sem saber” qual é o lado direito ou esquerdo. Daí que os ratinhos modificados tivessem as alterações na disposição de órgãos verificadas pela equipa do IGC.


Muitos grupos de investigação em todo o mundo têm-se debruçado sobre o processo ou processos que fazem com que se quebre a simetria inicial do embrião levando ao desenvolvimento destas assimetrias nos seres vivos. “Este trabalho vem demonstrar que existe um controlo genético responsável por permitir a criação de um lado esquerdo, simplesmente por impedir a activação das mesmas instruções genéticas do lado direito”, sustentou o investigador.


À Lusa, José António Belo disse ainda que a nova descoberta abre caminho ao estudo de uma doença genética humana (situs inversus), que consiste exactamente na disposição inversa dos órgãos.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6427542)

Os comentarios estão fechados.

Artigos relacionados

    Investigar em RSS