National Geographic Dá Bolsas a Portugueses 8 Outubro
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O que têm de especial as lagartixas-de-dedos-denteados de África, os anéis das árvores do Alasca ou os pangolins africanos e asiáticos? São as áreas de estudo premiadas com bolsas de investigação da Sociedade National Geographic, através do seu Fundo de Exploração Global, e que foram ontem entregues a três investigadores portugueses, na Sociedade de Geografia de Lisboa.
Lançado em Portugal em 2003, é a primeira vez que este programa, presidido por Alexandre Quintanilha, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto, atribui bolsas a portugueses, no valor total de 50 mil euros. Graças a este programa, que já conta com mais de 100 anos, José Brito, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Faculdade de Ciências do Porto, pode dedicar-se ao estudo das lagartixas-de-dedos-denteados, que vive na Península Ibérica e em África.
De resto, José Brito já está estudá-las no terreno, no deserto do Sara. A sua expedição africana, que durará cem dias e percorrerá 25 mil quilómetros, numa viatura todo-o-terreno, passará pela Tunísia, Líbia, Níger, Burkina-Faso, Gana, Mali, Senegal, Mauritânia e Marrocos. Para tamanha viagem, o que é que esta lagartixa, do género “Acanthodactylus”, tem de especial?
O investigador Nuno Ferrand de Almeida, responsável pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, diz que a África Ocidental é excelente para estudar estas lagartixas, pois a maior parte destes animais habita ali. Na expedição, talvez se fique a saber se todas as espécies já estão descobertas e, durante o próximo ano, os cientistas esperam ter resultados quanto à diversidade, distribuição geográfica e descrição dos habitats.
Já o estudo dos pangolins, um mamífero que parece mais um réptil, com uma armadura feita de escamas duras, uma cauda longa e garras afiadas, é importante por se tratar de um animal ameaçado de extinção em várias regiões asiáticas. São capturados para consumo humano e as escamas usadas na medicina tradicional.
Agostinho Antunes, do Departamento de Zoologia e Antropologia da Faculdade de Ciências do Porto, quer saber um pouco mais sobre a evolução dos pangolins, através de estudos genéticos. Embora pareçam répteis, é um grupo muito próximo dos carnívoros e, ao longo da sua evolução, perderam os dentes. Uma dieta à base de formigas contribuiu para tal, disse Agostinho Antunes, que já esteve em vários países, nomeadamente no Sri Lanka, e daqui a seis meses espera ter resultados definitivos.
Para outras paragens – o fiorde College, no Alasca -, irá Lúcio Cunha, do Centro de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras de Coimbra. Através dos anéis de árvores, de madeira fossilizada e datações por radiocarbono, o investigador pretende reconstruir a história climática daquele fiorde, para depois comparar com outros dados sobre as alterações climáticas no último milénio.
FONTE: Público


