Fórum vai debater estado da cultura científica em Portugal 7 Outubro

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A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) recebe dias 18 e 19 o Fórum Ciência, uma iniciativa que visa “alertar as consciências” para o estado “preocupante” da cultura científica em Portugal, disse hoje um dos organizadores.

A “constatação de uma crescente deficiência na preparação em matérias científicas dos alunos” saídos do ensino secundário e de que “tal deficiência se enquadra e resulta do clima de laxismo, facilitismo e falta de rigor que ultimamente tem permeado a sociedade portuguesa” foi um dos motivos que levou à criação deste fórum, disse, em conferência de imprensa, Joaquim Marques de Sá.



Segundo referiu, neste encontro a defesa do espírito científico e do espírito crítico, bem como o rigor na transmissão e análise da informação serão outros temas a abordar. “Vivemos na era do ‘acho que’, de uma opinião científica valer tanto como qualquer outra, de uma afirmação científica perder democraticamente contra dez não científicas”, contestou.


Marques de Sá, professor da FEUP, este fórum pretende ser um local de debate onde a objectivação, a fundamentação, a demonstração e verificação se contraponham aos actuais “acho que”.


O Fórum Ciência contará com a apresentação de 34 comunicações, repartidas por quatro temas: “A cultura científica no ensino básico e secundário”; “O conhecimento científico e outros conhecimentos”; “Reflexos duma cultura não científica na comunicação social” e “Cultura científica, Estado e sociedade”. Nesta iniciativa, adiantou, serão apresentadas as propostas de constituição de uma Academia das Ciências, Medicina e Tecnologia e de reposição de exames nacionais, pelo menos em cada fim de ciclo, em todas as disciplinas.


“O ensino básico e secundário vive momentos de degradação inimagináveis”, afirmou João Carvalho, da comissão organizadora. Para o também professor da FEUP, os exames nacionais são uma necessidade nos domínios da igualdade de critérios de avaliação, na necessidade de detectar escolas com dificuldades. “É preciso adoptar medidas de valorização e responsabilização do professor e da escola, bem como promover o trabalho dos alunos na escola e na sala de aula”, defendeu.


João Carvalho entende que a estabilidade da escola e dos docentes é muito importante por contribuir para a estabilidade dos alunos e para a continuidade pedagógica. Defendeu assim o fim do que considera ser o “espectáculo Kafkiano em que todos os anos mais de cem mil professores não sabem onde vão trabalhar no ano seguinte”.


José Cavalheiro, também da FEUP, afirmou que o “país deixou de ser exigente, vivendo uma cultura do instantâneo e da futilidade”, sendo este fórum uma oportunidade de “agregar preocupações”, juntando “o olhar de várias pessoas”. Joaquim Góis, também da comissão organizadora do Fórum Ciência e professor na FEUP, lembrou que o recente estudo internacional PISA (Programme foi International Student Assessment), coloca Portugal na cauda de todos os indicadores. O PISA cobre os domínios do conhecimento na leitura, matemática e ciência. “Se tivéssemos feito o Euro+2004 apenas com seis estádios, e não dez, tínhamos conseguido 7.000 bolsas de doutoramento”, acrescentou.


António Manuel Baptista, professor jubilado de Física do ensino universitário estará presente nesta iniciativa, que conta com os cientistas Alberto Amaral, Alexandre Quintanilha, João Lobo Antunes e João Caraça, entre outras, na comissão consultiva.


Após a realização desta iniciativa, os organizadores pretendem manter vivo o debate sobre o estado da cultura científica, tendo para o efeito já em funcionamento um fórum no sítio da Internet http://www.fe.up.pt/forumciencia.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6409311)

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